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BES: Contabilista implica Salgado na ocultação de prejuízos

O contabilista do Grupo Espírito Santo confirmou aos deputados que o banqueiro sabia do verdadeiro estado das contas do grupo, uma vez que recebia a versão real e a manipulada.
Machado da Cruz quebrou o silêncio para recusar as responsabilidades que Ricardo Salgado lhe atribuiu na manipulação de contas do GES. Foto Tiago Petinga/Lusa

Francisco Machado da Cruz, o 'commissaire aux comptes' da Espírito Santo International, disse aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES que Ricardo Salgado sabia de toda a verdade das contas e que lhe dava instruções para a ocultação dos prejuízos que acabaram por dar origem à derrocada do Grupo Espírito Santo.

O semanário Expresso diz que o contabilista admitiu à Comissão que entregava a Ricardo Salgado as contas manipuladas, mas também as contas consolidadas, que davam a informação real sobre a saúde financeira do GES e que o objetivo da ocultação do passivo desde 2008 era proteger o grupo da crise financeira.

Ouvido à porta fechada a seu pedido por causa do segredo de justiça, Machado da Cruz entregou aos deputados a carta em que pediu a demissão do cargo, no dia 7 de janeiro de 2014, durante a auditoria às holdings do grupo que detetou a manipulação das contas. Nela refere que se viu “forçado a assumir pessoalmente esses 'erros' em diferentes ocasiões”, justificando a não contabilização de 1300 milhões de euros no passivo da holding do GES como resultado de “um certo descontrolo”.

O depoimento de Machado da Cruz era particularmente aguardado, após todas as figuras com responsabilidades na gestão do grupo terem dito que foram apanhadas de surpresa com a verdadeira dimensão do passivo do Grupo. A versão de Machado da Cruz contraria a versão dada por Ricardo Salgado, que apontara ao contabilista a responsabilidade pelos “erros” nas contas.

José Castella também foi ouvido (desnecessariamente) à porta fechada

A deputada Mariana Mortágua publicou no seu blogue Disto Tudo as notas da audição, onde Castella aponta responsabilidades a Ricardo Salgado pelos últimos três meses em que continuou a financiar o Grupo através do BES e a Manuel Fernando Espírito Santo por ter feito o mesmo a partir da Rioforte.

Esta terça-feira foi ouvido, também à porta fechada, José Castella, alto quadro do Grupo Espírito Santo e destinatário, a par de Salgado, da carta de demissão de Machado da Cruz, que no entanto se recusou a falar dos temas que poderiam servir para invocar a proteção do segredo de justiça. A deputada Mariana Mortágua publicou no seu blogue Disto Tudo as notas da audição, onde Castella aponta responsabilidades a Ricardo Salgado pelos últimos três meses em que continuou a financiar o Grupo através do BES e a Manuel Fernando Espírito Santo por ter feito o mesmo a partir da Rioforte.

José Castella era o responsável pelas atas das reuniões do Conselho Superior e foi ele que gravou as conversas que foram reproduzidas na comunicação social. Questionado sobre se os presentes sabiam que estavam a ser gravados, Castella respondeu que o gravador era grande e estava sempre à sua frente em cima da mesa. A prática de gravar reuniões surgiu a pedido de alguns membros, mas também para reproduzir fielmente as divergências que começavam a surgir entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi.

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