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A esperança que construirmos

As próximas eleições vão também tratar de recolocar, para cima ou para baixo, a esperança de uma parte importante da esquerda sobre as suas próprias capacidades e possibilidades.

Enquanto a luta pela liderança no país está ao rubro na Grécia e em Espanha, as convicções fortes sobre a possibilidade de mimetizar os mesmos desequilíbrios políticos em Portugal são ondas que rondam todas as conversas. Velhos do Restelo ou esperançosos? Uns que desistiram e outros que hão-de mudar o mundo fazendo o mesmo de sempre da mesma forma de sempre porque um dia há-de resultar?

Entretanto António Costa anda em campanha, aliás, como os líderes dos partidos do governo.

Para além do óbvio, as próximas eleições vão também tratar de recolocar, para cima ou para baixo, a esperança de uma parte importante da esquerda sobre as suas próprias capacidades e possibilidades.

Partindo então de ideias simples, podemos afirmar que é melhor antecipar os possíveis resultados eleitorais, e por isso antecipar também os fatores que influenciam mais determinantemente as escolhas. Sabemos desde logo que é altura de intervir de forma diferente. Porque ao contrário da Grécia e da Espanha, por cá as organizações políticas apresentam-se estáveis, o mapa social do país é pelo menos tão difícil como antes (porque entretanto saíram mais 200 mil jovens desde 2010) e é no mínimo pouco provável que as escolhas e a representatividade política sejam abaladas de forma profunda. Além disso, os possíveis novos atores e organizações políticas não mostram qualquer capacidade para fazer mais do que acordos pós eleitorais numa sala fechada.

Outra ideia simples, talvez razoável, é que a campanha eleitoral para um partido de esquerda deve começar exatamente no dia seguinte ao ato eleitoral anterior, por motivos óbvios. A nossa campanha é a intervenção diária nos locais onde trabalhamos, vivemos, estudamos... mas hoje a campanha eleitoral já começou, e política local é nacional, é aliás, internacional.

É verdade que estamos disponíveis para acordos fortes de esquerda. Sendo assim, a urgência do avanço e divulgação das propostas essenciais, do calendário e das escolhas essenciais, tem de estar na mesa e na rua. O Bloco de Esquerda é forte na rua. É aí que colocamos as propostas sobre a dívida mas também sobre o aumento do Salário Mínimo Nacional para um valor digno, sobre o resgate do Serviço Nacional de Saúde, o resgate da Escola Pública, o resgate da Segurança Social e o resgate do Sistema Bancário. Também o resgate do que resta de outros setores vitais da economia do país, do seu motor. Propostas concretas para resgatar tudo, tudo das mãos do corrupto setor financeiro.

Como há alguns anos atrás, o Bloco de Esquerda surgiu porque quis rasgar, e rasga, a política de fluxograma.

Antecipar a campanha, fazê-la desde , porque queremos esclarecer e acordar sempre que possível. Rasgar o fluxograma da política. Se o antigo não resulta, então façamos um novo.

Sobre o/a autor(a)

Engenheiro informático
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