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“O dono disto tudo passou a vítima disto tudo”

Na Comissão de Inquérito ao BES, Ricardo Salgado apontou culpa à crise, ao Banco de Portugal e à troika, por não ter ajudado mais os bancos portugueses.
Ricardo Salgado foi à Comissão de Inquérito dizer que agiu em defesa do banco e dos seus clientes, contra os obstáculos postos pela crise e pelo Banco de Portugal. Foto Miguel A. Lopes/Lusa

Na última ronda de uma audição que durou dez horas, a deputada Mariana Mortágua resumiu as declarações de Salgado numa questão ao banqueiro, perguntando se afinal “o dono disto tudo passou a vítima disto tudo” quando confrontado com a Comissão de Inquérito. Salgado ainda argumentou que não foi ao parlamento “colocar-me na posição de vítima”, mas sim “dar-vos a minha versão dos acontecimentos”.

E na versão de Ricardo Salgado dos acontecimentos, o GES “era económica e financeiramente viável e a dívida sustentável num prazo até 2023”, tal como constava na auditoria da Pricewaterhouse Coopers à área não financeira do GES em março de 2014, pedida pelo Banco de Portugal.

O ex-líder do Banco Espírito Santo usou em sua defesa a correspondência trocada com o Banco de Portugal e algumas conversas com o governador Carlos Costa, em que este insistia para Salgado se manter à frente do banco durante a transição do poder executivo. Mais tarde, Carlos Costa terá defendido a saída da família da administração antes do aumento de capital do BES, o que Salgado considerou “imprudente e mesmo de risco elevado”, tendo escrito uma carta a dizer isso mesmo, com conhecimento de Cavaco Silva, Durão Barroso, Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque.

Fazendo uma comparação entre a situação do Grupo Espírito Santo e a de Portugal no momento do empréstimo da troika, Salgado lembrou que “foram dados ao Grupo 7 meses para reembolsar a dívida, enquanto Portugal dispõe de 31 anos para pagar o empréstimo da Troika”.

Ao longo do dia, Salgado foi confrontado com questões como a relação com o BES Angola, atribuindo a responsabilidade pelos maus créditos a Álvaro Sobrinho, ou o caso dos submarinos, em que afirmou ter sido um erro entrar nesse negócio por causa dos “danos reputacionais” que se seguiram.

“A minha responsabilidade será seguramente julgada nos tribunais", sublinhou Salgado em resposta a Mariana Mortágua, rejeitando também o título de “dono disto tudo”, que diz só ter servido para o prejudicar.

“O dono disto tudo passou a vítima disto tudo”

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