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"Os donos do país têm de ser os portugueses"

Catarina Martins acusou este domingo, em Salvaterra de Magos, o primeiro-ministro de querer “fazer de conta que é uma espécie de Robin dos Bosques dos portugueses” depois de “toda a destruição que trouxe” ao país.
Para a porta-voz bloquista, o drama do desemprego e da emigração e o crescimento de milionários em Portugal “mostram este insulto da desigualdade a aumentar a cada dia”. Foto de Paulete Matos

Catarina Martins lanchou este domingo com militantes e dirigentes regionais do Bloco, no Granho, concelho de Salvaterra de Magos. Referindo-se a declarações feitas nos últimos dias pelo primeiro-ministro e líder do PSD, a porta-voz nacional do Bloco acusou Pedro Passos Coelho de ter entrado em campanha eleitoral “mentindo” sobre o estado do país.

Afirmando que já nas últimas legislativas, Passos Coelho “mentiu sobre o que ia fazer no país”, ao prometer que não ia cortar salários nem aumentar impostos, Catarina Martins acusou o primeiro-ministro de ter agora entrado em campanha eleitoral “no único registo que conhece, que é o da mentira”.

“Se o país que criou com as suas políticas não lhe agrada faz de conta que o país é outro”, disse, lembrando que, ao contrário do que foi dito nos últimos dias, a pobreza não só não diminuiu como a pobreza infantil no país “é como não se via há décadas”.

Para a porta-voz bloquista, o drama do desemprego e da emigração e o crescimento de milionários em Portugal “mostram este insulto da desigualdade a aumentar a cada dia”.

Acusando o Governo de ter posto “uma tabuleta à entrada do país a dizer ‘Vende-se Portugal a preço de saldo’”, Catarina Martins considerou que “há algo de profundamente insultuoso” quando o primeiro-ministro, “depois de toda a destruição que trouxe, de toda a desigualdade, toda a pobreza, quer fazer de conta que é uma espécie de Robin dos Bosques dos portugueses”.

A porta-voz do Bloco reagiu, ainda, à declaração feita na sexta-feira por Passos Coelho, de que “libertou Portugal dos donos do país”, afirmando que “os donos do país têm de ser os portugueses” e que o país assistiu com este Governo à venda de empresas como a REN, a EDP, os CTT e ao anúncio da venda da TAP.

“É preciso uma alteração radical de políticas”, disse, referindo ainda o facto de um terço dos atuais ministros estar ligado à Finança ou as “danças de cadeiras cada vez que há uma privatização”.

“Sabemos bem que não é por aí o caminho”, disse, realçando o “exercício de liberdade como há poucos nos partidos portugueses” que foi a última convenção do partido, na qual foi eleita uma Comissão Permanente.

“Isso faz do Bloco um partido único na esquerda, o partido da liberdade, da diversidade, mas também o partido que sabe estar unido no essencial e hoje temos uma direção coesa em que todas as sensibilidades do Bloco estão representadas”, afirmou.

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