You are here

Novo Banco: um balanço do balanço

Perdas do “banco bom” à data da resolução chegam a quase 4.950 milhões de euros e incluem o BES Angola, empréstimos concedidos, reavaliação dos imóveis detidos pelo banco e investimentos em empresas subsidiárias. Artigo de Mariana Mortágua no blog “Disto Tudo”.
Trabalhador remove o nome do BES de uma agência, para afixar depois o do Novo Banco
Trabalhador remove o nome do BES de uma agência, para afixar depois o do Novo Banco

Quatro meses depois, conhecemos finalmente a situação do Novo Banco, o “bom”, à data da resolução. É o tão esperado balanço de abertura.

Em base consolidada (que inclui o banco e as entidades em cujo capital participa), há ajustamentos brutos (eufemismo para perdas) de quase 4.950 milhões de Euros. As principais rubricas são o BES Angola (2.750 milhões de Euros), as perdas nos empréstimos concedidos (1.200 milhões de Euros), a reavaliação dos imóveis detidos pelo banco (760 milhões de Euros) e os investimentos em empresas subsidiárias (100 milhões de euros).

Notável também é a perda de aplicações de clientes (depósitos) de mais de 5.000 milhões de Euros.

Como vigora o princípio de que estas perdas podem ser usadas para abater ao imposto a pagar em anos futuros em que o banco tenha lucros, a perda líquida contabilizada é de 3.725 milhões de Euros. São, no total, 2.865 milhões de Euros em impostos (não pagos ao Estado) que o Novo Banco estima recuperar até 2020 (ver definição ativos por impostos diferidos aqui).

Notável também é a perda de aplicações de clientes (depósitos) de mais de 5.000 milhões de Euros. Essa falta de fundos foi compensada pelo recurso a empréstimos junto do Sistema Europeu de Bancos Centrais (e não o BCE diretamente, o que deixa espaço para supor que o Banco de Portugal participa neste apoio).

Por fim nota-se a redução do montante devido a outros bancos em cerca de 870 milhões de Euros. Nada se encontra sobre porquê ou como.

No mesmo dia – mas algumas horas antes – em que se publicavam as contas que mostram a situação do banco em agosto, aparecem as notícias de interessados na compra. É, quase sem surpresa, a misteriosa e já habitual Fosun (um conglomerado financeiro chinês) que alegadamente aparece a avaliar o Novo Banco em 3.500 milhões de Euros, valor ainda longe (a 1.400 milhões de distância) do que foi investido pelo Fundo de Resolução.

Artigos relacionados: 

Sobre o/a autor(a)

Deputada. Dirigente do Bloco de Esquerda. Economista.
Termos relacionados Sociedade
Comentários (1)