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RTP: Bloco quer ouvir Governo, Alberto da Ponte e o Conselho que o demitiu

Poiares Maduro, Alberto da Ponte e representantes do Conselho Geral Independente da RTP vão ser chamados a dar explicações no parlamento sobre o conflito que já custou o lugar ao presidente da empresa.
No fim do braço de ferro com o Governo, Alberto da Ponte acabou destituído de funções. Foto Manuel de Almeida/Lusa

A crise interna na RTP agravou-se esta semana com o segundo chumbo do plano estratégico apresentado pela administração da empresa ao Conselho Geral Independente (CGI), um órgão criado pelo Governo na recente restruturação do grupo de rádio e televisão pública. Um dos argumentos invocados para a discórdia foi a candidatura da RTP à transmissão de jogos da Liga dos Campeões de futebol, uma operação com grandes custos mas também, no entender do canal público de televisão, capaz de gerar grandes proveitos para as audiências e os cofres da empresa.

Assim que a notícia foi pública, dois ministros - Poiares Maduro e Marques Guedes - vieram pronunciar-se contra ela, entrando em rota de colisão com Alberto da Ponte. Poucos dias depois, o Conselho Geral Independente propôs a destituição do presidente do Conselho de Administração, proposta que o ministro Poiares Maduro aceitou esta quarta-feira.

Para a deputada bloquista Mariana Mortágua, “não é surpresa que o CGI venha pedir a demissão de Alberto da Ponte. É aquilo que o Governo tem dito na última semana. O Conselho Geral Independente é um conselho dependente do Governo e sabemos hoje que a RTP precisa de outra visão estratégica que respeite o seu caráter de serviço público e diferenciador em relação aos outros canais”.

"O Conselho Independente é um conselho dependente do Governo"

“Sempre fomos os maiores críticos desta administração da RTP. A sua demissão é uma boa notícia se isso significar que há uma aposta no serviço público da RTP. Se for para manter a mesma política de destruição do serviço público de rádio e televisão, então será mais do mesmo”, previu a deputada, recordando que “tudo o que a administração fez até agora a mando do Governo foi sempre no sentido da destruição do serviço público e tornar a RTP num canal igual a todos os outros”.

O Bloco continua a discordar do atual modelo de governação do serviço público, e considera que “a criação do CGI foi uma forma do governo contornar as obrigações legais que tinha para manter a RTP como um canal independente e conseguir controlá-la de forma indireta”, referiu Mariana Mortágua em declarações aos jornalistas.

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