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Índia: 30 anos depois, o crime humanitário e ambiental em Bophal permanece impune

A 3 de dezembro de 1984, cerca de 500 mil pessoas foram expostas a 40 toneladas de gases tóxicos provenientes da empresa norte-americana Union Carbide, que pertence agora à The Dow Chemical Company. Estima-se que o desastre tenha causado a morte a mais de 15 mil pessoas.

À época, a empresa de pesticidas negou-se a fornecer informações detalhadas sobre a natureza dos gases tóxicos, impossibilitando os médicos de tratar adequadamente todas as pessoas expostas.

Nos últimos trinta anos, a Union Carbide conseguiu evitar responder perante a justiça, enquanto milhares de pessoas continuam a beber água contaminada e a padecer de doenças do foro ginecológico e infertilidade.

A Dow Chemical, segunda maior empresa química do mundo, que comprou a Union Carbide em 2011, também nega qualquer responsabilidade e, inclusive, recusou pagar as despesas associadas à limpeza na zona.

A fábrica onde ocorreu o desastre, localizada na região de Bophal, permanece até aos dias de hoje abandonada e os resíduos perigosos e materiais contaminados ainda estão espalhados pela área envolvente, contaminando solo e águas subterrâneas.

Em 1989, o governo indiano aceitou receber da empresa norte americana, no âmbito de um processo extra judicial, uma indemnização de 382 milhões de euros, o que representa 14% do montante exigido inicialmente pelo país e não chegou sequer para cobrir as despesas médicas das vítimas.

Numa sentença de 2001, sete funcionários da companhia foram, por sua vez, condenados a dois anos de prisão, que puderam evitar mediante o pagamento de uma fiança.

"Os Estados Unidos jamais tolerariam que uma empresa de propriedade estrangeira não fosse responsabilizada pelos estragos causados no seu território; no entanto, não parece preocupar-se tanto quando a situação é inversa", afirmou Salil Shetty, secretário geral da Amnistia Internacional, em visita a Bophal.

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