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“É preciso reconstruir o que o governo PSD/CDS tem destruído”

Catarina Martins apresentou na TSF três questões essenciais para uma alternativa ao governo PSD/CDS-PP: desvinculação do Tratado Orçamental; reestruturação da dívida pública; devolução do que foi tirado às pessoas.
“Portugal tem de enfrentar Angela Merkel e a União Europeia” para ter uma política alternativa ao empobrecimento” afirmou Catarina Martins no Fórum da TSF - Foto de Paulete Matos

Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, esteve nesta terça-feira no Fórum da TSF, onde respondeu a perguntas dos ouvintes e falou sobre o partido, a sua direção e a política que propõe para o país.

Catarina Martins afirmou que “[em Portugal] é preciso reconstruir o que foi destruído”, referindo-se a salários, pensões, destruição de postos de trabalho e de recursos, cortes no SNS e na Escola Pública...

A porta-voz do Bloco realçou que para uma governação alternativa ao governo PSD/CDS-PP é preciso:

- “Desvinculação do tratado orçamental”, que impõe aos países a austeridade durante 20 anos.

- “A reestruturação da dívida pública”, que retira recursos indispensáveis ao país e que continua a aumentar.

- “A devolução do que foi tirado” às pessoas pelo atual governo.

PS e PSD foram alternando no governo, mas o BES ficou lá sempre”

Questionada se o Bloco está em condições de apresentar plataformas políticas para a unidade com forças da esquerda do espectro político, a porta-voz do Bloco de Esquerda respondeu afirmativamente e apontou que “é preciso reconstruir o que o governo PSD/CDS tem destruído” e para isso são precisos recursos, sendo necessário reestruturar a dívida pública e desvincular Portugal do tratado orçamental, que impõe a austeridade para 20 anos.

Catarina Martins salientou que para uma alternativa de esquerda são essenciais “opções claras”, são necessários “compromissos claros” e lembrou que em Portugal temos “muitos anos de alternância entre PSD e PS e nada mudou”.

Lembrando que o Bloco nunca falhou nenhuma política de esquerda e que sempre aprovou medidas de esquerda, Catarina Martins criticou os “silêncios do PS que custam caro ao país”, como as rendas dadas aos grandes grupos económicos, e realçou: “PS e PSD foram alternando no governo, mas o BES ficou lá sempre”.

Portugal precisa de um pólo forte à esquerda”

Ainda sobre a alternativa política, Catarina Martins disse que “Portugal precisa de um pólo forte à esquerda”, com posições claras sobre as questões fundamentais que se colocam ao país. Salientando que essa “alternativa passa pelo Bloco e pelo PCP” mas não se limita a essa convergência, a deputada destacou que é necessário que “as pessoas assumam participação”, que aumente ativismo e apontou que a indignação tem de passar para ação e para mudança.

"Reforma aos 40 anos de descontos”

Questionada sobre as reformas por um trabalhador que já descontou 43 anos, Catarina Martins afirmou que o Bloco tem defendido a reforma para quem já trabalhou e descontou durante 40 anos e realçou que esta proposta faz justiça a uma geração que começou a trabalhar muito cedo e abre postos de trabalho para uma geração mais nova, que tem um elevado desemprego.

Catarina Martins lembrou também que na AR “o Bloco fez recuar a proposta das subvenções aos políticos”, no debate do OE para 2015 que impõe cortes aos reformados e questionou como é que PS e PSD se juntaram numa tal proposta. A deputada sublinhou que “estas subvenções aos políticos nunca deveriam ter existido”!

Pensar o país estrategicamente é muito importante”

Questionada sobre um plano de desenvolvimento sustentado para o país, a porta-voz do Bloco de Esquerda afirmou que “pensar o país estrategicamente é muito importante” e apontou questões essenciais para isso: primeiro, “a capacidade do país decidir e usar os recursos”, o que exige a desvinculação do tratado orçamental e a reestruturação da dívida; segundo, “reconstruir o que o governo tem destruído”; terceiro, o Estado tem que agir com investimento público e precisa ter domínio sobre setores estratégicos, como energia, telecomunicações, água... Lembrando que a energia não é controlada por uma empresa portuguesa, mas por uma empresa do Estado chinês, Catarina Martins afirmou: “Renacionalizar setores estratégicos é essencial”.

Porquê votar Bloco?

Questionada sobre porquê votar Bloco, Catarina Martins salientou que “temos compromissos claros”, “nunca falhámos aos nossos compromissos”, “o Bloco não cede no essencial”, “nunca faltou com o seu voto a algo que esteja correto” e não tem “uma política oca de promessas sem compromisso”.

Conversar com António Costa

Questionada sobre se “não teme recusar conversar com António Costa”, a porta-voz do Bloco afirmou “não recusamos conversar com ninguém”, “conversamos sempre”, mas “há escolhas a fazer”, “Portugal tem de enfrentar Angela Merkel e a União Europeia” para ter uma política alternativa ao empobrecimento”.

Catarina Martins destacou que “não precisamos do nome do primeiro-ministro, precisamos de política diferente” e afirmou que “irresponsabilidade é não falar claro”. Questionada sobre o partido “Livre”, Catarina Martins afirmou que esse partido “tem um discurso cada vez mais ambíguo” sobre questões essenciais como a rejeição do tratado orçamental ou a reestruturação da dívida.

Comissão Permanente é uma equipa onde estão representadas todas as sensibilidades

Sobre a comissão permanente eleita no passado domingo pela mesa nacional do Bloco, Catarina Martins afirmou que é uma equipa, uma direção coletiva, onde estão representadas todas as sensibilidades. Questionada se nestas condições o Bloco terá um projeto comum, Catarina Martins lembrou que no partido “há grande unidade sobre questões essenciais”, como mostrou a última convenção, e sublinhou que a “comissão permanente une todo o Bloco” e constitui uma forma de direção que funcionou no Bloco durante muitos anos.

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