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“Costa nada diz sobre a reposição de salários”

Bloco de Esquerda acusa novo secretário-geral do PS de “omissões graves em termos de soluções políticas para o país”, e diz que a sua política “não é uma alternativa para os problemas que os portugueses e as portuguesas sentem".
Plano Juncker “mesmo assim vai no bom sentido”, disse António Costa.
Plano Juncker “mesmo assim vai no bom sentido”, disse António Costa.

Em resposta ao desafio do novo secretário-geral do PS, António Costa, que no discurso de encerramento do Congresso do seu partido desafiou os partidos à sua esquerda, a deputada Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, disse que o PS está apostado em ter o poder, mas “peca por omissões graves em termos de soluções políticas para o país”.

A deputada acusou o líder do PS de nada dizer “sobre a reposição dos salários aos portugueses e portuguesas” ou sobre a sobretaxa do IRS. “Não ouvimos António Costa falar sobre a dívida e a reestruturação”, acrescentou, sublinhando que o PS "quer o poder, está apostado em ter o poder por via da alternância, mas não é uma alternativa para os problemas que os portugueses e as portuguesas sentem".

Nova leitura” do Tratado Orçamental

No discurso em que apresentou a sua política, António Costa defendeu um modelo que equilibre o respeito pelos compromissos europeus, o respeito pelos compromissos nacionais em termos de Estado social e, como terceiro pilar, a necessidade de investimento. Este equilíbrio, defendeu, “passa por uma nova leitura do Tratado [Orçamental da União Europeia], passa por uma discussão europeia sobre a questão da dívida e, finalmente, passa também por um novo programa de investimento que tem de existir na Europa”, disse.

Apesar de ter qualificado como "insuficiente" e "incerto" o chamado "plano Juncker", Costa referiu que “mesmo assim vai no bom sentido”, destacando particularmente a possibilidade de investimentos em áreas económicas do futuro (como o digital) deixarem de contar para a contabilização do défice em cada Estado-membro.

Acordo entre ‘costistas’ e ‘seguristas’

A moção de estratégia de António Costa foi aprovada por unanimidade na madrugada de domingo, e a lista para a Comissão Nacional, órgão máximo do partido entre congressos e fruto de um acordo entre ‘costistas’ e ‘seguristas’, teve 87% de votos favoráveis.

A lista única da Comissão Política Nacional foi encabeçada por Maria de Belém, que foi presidente do PS durante a liderança de António José Seguro, e integra nomes de ex-ministros como Alberto Costa, António Vitorino, Augusto Santos Silva, Ferro Rodrigues (atual líder parlamentar), João Cravinho, Jorge Lacão, Pedro Silva Pereira e Vieira da Silva.

Pela parte dos "seguristas" entraram o ex-líder da UGT João Proença, o ex-presidente da Câmara de Lisboa João Soares, Joaquim Raposo, o presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP), Manuel Machado, e membros da anterior direção como António Galamba, Miguel Laranjeiro e Eurico Brilhante Dias.

No Secretariado, Costa não deixou espaço nem a seguristas nem a históricos do partido: o vice-presidente Fernando Medina, o ex-secretário de Estado Luís Patrão e os deputados João Galamba e Sérgio Sousa Pinto são alguns dos nomes que passam a integrar este órgão.

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