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Governo PSD/CDS-PP quer transformar a Segurança Social "num negócio privado"

Acusando o Governo de querer despedir 700 pessoas, a coordenadora nacional do Bloco, Catarina Martins, apelou ao "levantamento" dos portugueses para impedirem o "desastre" que seria a privatização da Segurança Social. Trabalhadores realizam greve de 24 horas a 4 de dezembro.
Foto de Paulete Matos.

"O que está em marcha são despedimentos para que a Segurança Social (SS) passe a ser um negócio privado, com a privatização das suas funções, e isso é completamente inaceitável", referiu a dirigente bloquista durante um protesto junto ao Centro Distrital da SS de Braga, que reuniu perto de 400 pessoas.

"O que o ministro Pedro Mota Soares anunciou é que quer despedir 700 trabalhadores da Segurança Social. Podem chamar-lhe os nomes que quiserem, mas estas pessoas vão ficar com o salário reduzido a 60 por cento e passado um ano a 40 por cento. Estamos a falar de um despedimento maciço na Segurança Social", avançou.

Catarina Martins salientou que os trabalhadores que agora vão para a requalificação são "pessoas de que a Segurança Social e o país precisam" e "têm funções atribuídas", assinalando o exemplo de Braga, em que estão em causa técnicos que lidam com os processos relacionados com as comissões de proteção de menores e o tribunal de menores, com a adoção e com as amas.

"Não podemos aceitar que um país que já tanto fragilizou famílias, com o desemprego, o empobrecimento e os cortes dos salários, vá agora até no fim da linha, quando as famílias mais precisam da Segurança Social, retirando os técnicos que acompanham as nossas crianças", criticou.

A coordenadora nacional do Bloco apelou ao "levantamento" dos portugueses para impedirem os despedimentos e o "desastre" que seria a privatização da Segurança Social.

"Se não nos levantarmos contra estes despedimentos, outros se seguirão e o país verá a Segurança Social transformada num negócio", rematou.

A ex-diretora do Centro Distrital de Segurança Social de Braga, Maria do Carmo Antunes, também marcou presença na iniciativa, confirmando que aquele organismo tem "falta de gente".

"Há pouca gente para as funções que a Segurança Social tem, já no meu tempo havia. Estão pessoas a entrar e a despedir outras?", questionou.

Trabalhadores da Segurança Social realizam greve de 24 horas a 4 de dezembro

Esta quarta-feira, o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (Sintap), que apresentou no início da semana uma providência cautelar contra a colocação dos trabalhadores no regime de requalificação, promoveu cordões humanos junto aos centros distritais da Segurança Social. Para segunda-feira está agendada uma vigília junto ao ministério da tutela.

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Funções Públicas anunciou, entretanto, a realização de uma greve de 24 horas e uma concentração nacional dos funcionários do Instituto de Segurança Social (ISS) no dia 4 de dezembro contra a “tentativa do Governo de requalificar e despedir perto de 700 trabalhadores neste organismo".

Em comunicado, a Federação, liderada por Ana Avoila, afirma que estamos perante "um primeiro passo da grande ofensiva contra a estabilidade de emprego na administração pública, que o Governo pretende concretizar, com a colocação na requalificação de 12.000 trabalhadores, processo que, inevitavelmente, poderá resultar no seu despedimento".

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