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Autarcas exigem regresso do Ramal da Lousã

O transporte ferroviário entre Coimbra e Lousã foi encerrado há cinco anos. Por entre promessas e atrasos, a população e os autarcas afetados exigem o fim da “obstrução do Governo” ao reinício das obras.
A linha ferroviária que ligava Coimbra a Serpins está desativada há cinco anos. Autarcas e população estão fartos de promessas. Foto Nelso Silva/Flickr

Os autarcas de Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra assinalaram os cinco anos do encerramento do Ramal da Lousã, exigindo o regresso da ligação ferroviária aos três concelhos, retirada com a promessa da substituição pelo metro ligeiro. O presidente da Câmara de Coimbra disse à agência Lusa que a empresa Metro Mondego “está bloqueada por obstrução deliberada do Governo” e sem um plano de ação para 2015.

Manuel Machado, que também lidera a Associação Nacional de Municípios, defende que o Governo use os fundos comunitários para concluir as obras interrompidas em 2009 e construir o troço urbano do metro entre a baixa e os hospitais da cidade. “Coimbra não pode continuar a observar, com indiferença, esta cratera no coração da cidade”, que integra o conjunto classificado pela UNESCO, em 2013, como Património Mundial da Humanidade.

Para José Redondo, empresário da Lousã, a razão para as obras estarem paradas há cinco anos é fácil de explicar: “o lóbi rodoviário teve mais força que o lóbi ferroviário”. O fabricante do Licor Beirão diz que o Governo devia manter “um ramal que tanta falta faz à população”, desde que estivessem “virados para o desenvolvimento ferroviário, coisa que não aconteceu”.

Por entre um “sentimento de tristeza e frustração”, o presidente da Câmara da Lousã também defende que “falta o Governo cumprir os compromissos assumidos” para a reposição da ligação ferroviária, discordando da proposta da presidente da Comissão de Coordenação do Centro, Ana Abrunhosa, sobre a eventual substituição do transporte ferroviário por uma linha exclusiva para autocarros. Para o edil de Miranda do Corvo, Miguel Baptista, é necessário “que seja feita justiça” pela perda do comboio. “Espero bem não ser preciso esperar mais cinco anos”, declarou à Lusa.

“Cidadãos por Coimbra” prometem continuar a lutar pela instalação do metro

“Este projeto tem mesmo de avançar e não alinharemos nas promessas que vêm de tempo a tempo. Só desistiremos desta luta no dia em que o projeto esteja concretizado e não nos deixemos iludir nas promessas que são múltiplas”, afirmou ao jornal “As Beiras” José Augusto Ferreira e Silva, vereador no município de Coimbra eleito pelo movimento “Cidadãos por Coimbra”.

O movimento promoveu uma recolha de assinaturas para entregar aos deputados e força à discussão do tema na Assembleia da República. “Os políticos têm assumir as suas responsabilidade e não podem andar permanentemente a dizer uma coisa e a fazer outra. Hoje já nem se trata de qualquer racionalidade económica não fazer o metro, porque se gastaram mais de 100 milhões com a obra, que serão totalmente desperdiçados se a obra não for concretizada”, sublinhou o advogado e vereador numa ação de recolha de assinaturas realizada no mês passado.

 

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