You are here

Subfinanciamento “empurra milhares de estudantes para fora do Ensino Superior”

Esta quarta-feira, Lisboa foi palco de um protesto contra os cortes impostos no Orçamento do Estado pela maioria de direita, que condenam o Ensino Superior a uma situação de “total asfixia”. Segundo um estudo levado a cabo pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), as questões económicas são decisivas para o abandono escolar.
Foto de INÁCIO ROSA/LUSA.

Durante a manifestação, que percorreu as ruas entre o Largo do Carmo e a Assembleia da República, em Lisboa, os estudantes do Ensino Superior teceram duras críticas aos cortes previstos no Orçamento do Estado para 2015 no que respeita à Educação e, particularmente, ao Ensino Superior.

Entre palavras de ordem como “Assim não pode ser, os bancos a ganhar e o ensino a perder”, “Basta de ataques ao ensino superior”, “Chumbamos estes políticos e este orçamento”, “Bolsas sim, propinas não, este governo não tem educação”, os alunos reivindicaram um “ensino verdadeiramente democrático e melhor para todos”.

Em declarações ao Esquerda.net, Mariana Gomes, da direção da Associação de Estudantes da Escola Superior de Teatro e Cinema, explicou que os estudantes “vieram para a rua em protesto não só contra os cortes previstos para o setor da Educação, principalmente no Ensino Superior, como contra todas as medidas de austeridade previstas no Orçamento do Estado, que se traduzirão num agravamento ainda maior das condições de vida das famílias”.

Lembrando que “o Ensino Superior já tem vindo a ser alvo de cortes há vários anos”, e que os politécnicos são “a maior vítima da política da austeridade” do executivo PSD/CDS-PP, Mariana Gomes alertou que colegas seus veem-se obrigados a abandonar a faculdade porque não têm condições para custear as despesas associadas aos seus estudos.

O subfinanciamento a que é condenado tem levado o Ensino Superior a uma situação de “total asfixia”, frisou a estudante.

Subfinanciamento aumenta abandono escolar

“O subfinanciamento do Ensino Superior público condena as instituições a procurar financiamento próprio, aumentando os custos para os estudantes ou reduzindo a oferta de cadeiras opcionais, prejudicando-os, privatizando parte dos seus serviços”, alertam os estudantes do ensino superior na convocatória da manifestação que teve lugar esta quarta-feira, em Lisboa.

No documento, lê-se ainda que este subfinanciamento leva ainda “à degradação as suas condições materiais e humanas”, que se reflete na “falta de materiais essenciais ao funcionamento de alguns cursos”, na existência de “edifícios em franca degradação”, no “encerramento de cantinas ou cantinas que não satisfazem as necessidades dos estudantes e o aumento do custo do prato social”, e na carência de professores e funcionários.

Os estudantes alertam que “este ano letivo começou pior que o ano passado, com a subida das propinas, das taxas e emolumentos e uma Acão Social Escolar direta cada vez mais incapaz de dar resposta às reais necessidades dos estudantes”.

“Esta situação de subfinanciamento empurra milhares de estudantes para fora do Ensino Superior, aumentando o abandono escolar e impede outros tantos estudantes de sequer pensar em entrar no mesmo”, frisam as associações de estudantes que subscreveram a convocatória.

Esta mesma ideia é corroborada por um estudo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, divulgado na sexta-feira, que conclui que as questões económicas são decisivas para o abandono escolar.

Entre os cerca de 7.500 alunos de licenciatura e mestrado integrado da UTAD matriculados em 2013-2014 envolvidos na investigação, 1.117 estudantes encontravam-se em situação de incumprimento no pagamento de propinas e 86 alunos em situação de anulação de matrícula.

 "Apontamos para uma pluralidade de causas que estão na base do abandono escolar, causas que têm como elemento fundamental a privação económica ", salientou Fernando Bessa, o coordenador do estudo.

Mais de 81% abandonaram a UTAD durante o primeiro ano do curso e apontaram como principais motivos: "licenciatura não correspondeu às expectativas", "dificuldades económicas", "adaptação à cidade e à vida académica", "conciliação com a vida profissional".

 A investigação assinala que em causa estão alunos que, na grande maioria, "vivem de forma austera" e que não tinham acesso a bolsa de estudos, usufruindo, no entanto, “de rendimentos familiares ou próprios baixos", isto, é, “não ganham o suficiente para pagar as suas despesas com os estudos”.

Termos relacionados Sociedade
(...)