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Êxito da consulta catalã abre caminho a eleições plebiscitárias

A forte participação dos catalães na consulta proibida pelas autoridades de Madrid reforça a intenção dos partidos pró-independência em fazer das próximas eleições um novo passo para a separação de Espanha.
2,3 milhões de catalães desobedeceram ao governo e aos tribunais espanhóis e participaram na consulta sobre o futuro da Catalunha. Foto Ariet/Flickr

Esta terça-feira, o presidente do governo catalão irá anunciar quais os próximos passos na sequência da consulta realizada este fim de semana. Mais de dois milhões de pessoas desafiaram a proibição de Madrid à realização desta consulta e, como se esperava, deram uma vitória esmagadora à opção da Catalunha se tornar um Estado independente. Artur Mas deverá voltar a desafiar o primeiro-ministro espanhol para que os catalães possam decidir em referendo, uma opção que Mariano Rajoy sempre rejeitou.

Deste braço de ferro político deverá sair a opção que muitos consideram já inevitável: a realização de eleições, que para a CiU serão “plebiscitárias” e para a Esquerda Republicana “constituintes”. Os dois partidos que defendem a independência são também os que têm maior apoio nas urnas e irão negociar na próximas semanas como se desenrolará o processo político legitimado pela consulta de 9 de novembro.

O coordenador geral da Convergência (o partido de Mas que domina a CiU) considerou “altamente improvável” que seja feito um referendo resultante das negociações com Madrid.  Josep Rull defende que os partidos pró-independência - CiU, ERC, ICV e CUP - vão a eleições juntos sob um programa que se baseie na intenção de criar um Estado catalão.  Para o dirigente do partido do centro-direita catalã, a forma desta união eleitoral não deveria ser uma coligação, mas uma nova força que possa juntar todos os partidários da independência da Catalunha.

Para Marta Rovira, secretária-geral da Esquerda Republicana (ERC), “não podemos perder nem mais um segundo” antes de convocar “eleições constituintes”. A ERC considera uma perda de tempo a insistência em dialogar com Rajoy, que já deu provas de não ceder um milímetro às pretensões do povo catalão.

“Nos próximos dias falaremos sobre como tem de ser o mandato para o executarmos depois. Estamos dispostos a entender-nos com toda a gente”, declarou Marta Rovira, considerando que este é um processo “irreversível e imparável”. “Os cidadãos pedira-nos que consigamos o mandato democrático para constituir um novo Estado. Os catalães estão preparados para dar mais um passo”, resumiu a dirigente da ERC.

Para o deputado da CUP, David Fernandez, este domingo foi “um grande dia para a Catalunha e também para a democracia”, porque uma “grande parte do povo catalão decidiu impugnar a autoridade de um tribunal constitucional”. O resultado da consulta “deixa muito aberta a luta pela liberdade política e pela autodeterminação deste país”, resumiu David Fernandez.

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