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Estudo revela que sobrecarga laboral de enfermeiros sacrifica segurança dos doentes

Uma investigação desenvolvida por um professor da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra assinala que 60% dos profissionais “trabalha demasiado depressa e sob pressão, tentando fazer muito”.
Foto de Estela Silva. Lusa.

Segundo António Manuel Fernandes, autor do estudo “Dotação segura em Enfermagem e a cultura de segurança: subsídios para a segurança do doente”, esta pressão faz com que “a cultura de segurança do doente se apresente como um fator crítico da qualidade dos cuidados de saúde hospitalares e a necessitar de melhoria”.

A investigação do professor da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, que tem por base inquéritos realizados entre setembro de 2011 e novembro de 2013 a 926 enfermeiros com domicílio profissional hospitalar na área de jurisdição da Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros, revela que apenas 46% dos enfermeiros “nunca sacrifica a segurança do doente quando há sobrecarga de trabalho”.

De acordo com os dados compilados por António Manuel Fernandes, “a maioria das dimensões da cultura de segurança do doente, entendida como um modelo de comportamentos tendente a minimizar os danos nos pacientes que podem resultar da prestação de cuidados, apresenta debilidades”.

Por exemplo, “as dotações de enfermeiros identificadas são medianamente comprometidas com a sua missão de segurança profissional e dos doentes, correndo um sério risco de não a garantirem, uma vez que revelam debilidades nos seus aspetos de cariz qualitativo e são deficitárias no provimento de horas de cuidados de enfermagem necessárias, registando-se um défice médio de 23%”.

O documento refere ainda que os enfermeiros consideram que o seu esforço e perícia não são “adequadamente reconhecidos e recompensados” e que “o compromisso do hospital com os enfermeiros e a enfermagem, a existir, é pouco sentido por estes profissionais”.

“A cultura de segurança do doente identificada neste estudo é caracterizada pelo paradigma da culpabilização e punição” e também “pelo paradigma da ocultação do erro e do evento adverso”, refere o professor da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.

Por outras palavras, os enfermeiros entendem que “quando notificados, são eles o centro da atenção e não o incidente/evento e preocupados que este seja registado no processo pessoal, podendo ser usado contra si”.

No seu estudo, António Manuel Fernandes conclui que contextos clínicos “com dotações em enfermagem qualitativamente mais seguras - particularmente onde se promove equilíbrio de competências e supervisão de cuidados e, sobretudo, se fomenta um bom ambiente relacional entre profissionais clínicos, com estimulação da autonomia profissional - contribuem para a existência de níveis inferiores de riscos clínicos”.

Nos últimos meses, os enfermeiros têm vindo a denunciar o "estado de exaustão" causado pela falta de profissionais nos serviços de enfermagem e pela precarização da profissão, alertando para as consequências desta problemática na qualidade dos serviços prestados e na segurança dos doentes.

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