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Sindicato acusa TAP de não cumprir acordo e de fazer cortes nos salários de grávidas

Os tripulantes de cabina estão em greve nesta quinta-feira e sábado. Os trabalhadores lutam contra o incumprimento do acordo de empresa: a TAP não respeita o direito dos trabalhadores a um fim de semana em cada sete semanas, nem os direitos das mães com filhos em idade de amamentação e faz cortes nos salários de grávidas. Estão já marcados mais dois dias de paralisação: 30 de novembro e 2 de dezembro.
FOto da wikipedia

Nuno Fonseca da direção do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) declarou à agência Lusa que “a greve vai ter uma grande adesão”. O SNPVAC representa 90% dos 2.500 tripulantes de cabine da TAP.

A TAP já conseguiu reagendar a viagem de 25.000 passageiros. A empresa prevê “uma significativa perturbação na operação da companhia nestes dias”, não sabe quantos dos 320 voos diários da companhia serão efetuados, apenas garantindo os serviços mínimos decretados: os voos Lisboa/Funchal/Lisboa, Lisboa/Terceira/Lisboa, Lisboa/São Paulo/Lisboa, para 5ª feira; os voos Lisboa/Funchal/Lisboa, Lisboa/Pico/Terceira e Lisboa/São Paulo/Lisboa, para sábado.

e calcula que cada dia de paralisação dos tripulantes de cabine custará cinco milhões de euros.

Em artigo de opinião publicado no “Diário Económico” e disponível no site do SNPVAC, o presidente do sindicato, Rui Luís, diz que esta greve “nada tem a ver com melhorias salariais” e que as reivindicações dos trabalhadores “são em relação ao clima degradado e às más relações com a gestão operacional”.

Rui Luís acusa a empresa de “um clima de coação permanente”, “degradação das condições humanas e de trabalho” a que os tripulantes de cabina estão sujeitos.

O presidente do SNPVAC denuncia, nomeadamente:

- “Não podemos concordar que não se cumpra a regulamentação legal quanto às Tripulantes lactantes e que as Colegas grávidas sejam alvo de cortes salariais”;

- “Não podemos nem queremos aceitar, acções persecutórias só porque queremos cumprir”.

- “De há vários anos para cá, os Tripulantes de Cabine vivem Verões esgotantes. Dando a cara pela Companhia, junto a Passageiros que não compreendem nem aceitam a política de contenção de custos dos Governos e das Administrações, que faz que não contratem atempadamente trabalhadores para mais aviões, para mais e mais escalas e destinos”.

Rui Luís salienta que os trabalhadores e trabalhadoras exigem “que seja respeitada a sua dignidade profissional”.

O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, disse: "A greve, normalmente, é um instrumento de pressão sobre a administração ou sobre o Estado para conseguirem certas coisas. Ora, é claro o que pode ser feito ou não. Não vale a pena estarem com pressões desta natureza porque a nossa posição é só uma e já lhes foi comunicada".

Sérgio Monteiro disse ainda que a greve não terá impacto negativo no processo de privatização, e afirmou: "Desse ponto de vista, se o objetivo é esse [travar a privatização], o impacto é indiferente. Se alguma coisa acontece, acelera o processo de privatização"

O secretário de Estado não respondeu às acusações concretas do SNPVAC, nomeadamente à violação dos acordos e da lei por parte da empresa.

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