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"Eurofin foi mais um esquema para financiar o Grupo Espírito Santo"

O Banco Espírito Santo usou uma sociedade financeira na Suíça para vender títulos aos seus clientes que serviam para financiar o GES. As perdas registadas para o banco ascendem a 1.249 milhões de euros. Mariana Mortágua diz que este é um assunto na agenda da Comissão de Inquérito.
Foto Paulete Matos.

A "engenharia financeira" montada pelo BES e a Eurofin já era conhecida pelo menos desde o fim de julho, quando o banco apresentou prejuízos recorde. Na altura, o semanário Expresso tinha revelado a operação que consistia em usar o dinheiro dos clientes do banco para financiar as empresas do Grupo Espírito Santo através da venda de obrigações. Amílcar Morais Pires e Isabel Almeida, dois nomes indicados pela administração de Salgado para administradores do BES antes do colapso, terão tido um papel determinante na montagem da operação.

Segundo a reportagem do i, no mês de julho o BES tomou a decisão de recomprar as obrigações, multiplicando assim o prejuízo do banco. Para a deputada bloquista Mariana Mortágua, a notícia “prova mais uma vez aquilo que temos visto a constatar: este caso não é tanto uma falência bancaria, mas um conjunto de esquemas e de fraudes com contornos legalmente muito mais duvidosos".

Esta quarta-feira, o diário i revelou que a extensão das relações triangulares entre o BES, GES e Eurofin "determinaram um registo  de perdas nas contas do Banco Espírito Santo no valor total de 1249 milhões de euros. As obrigações emitidas pelo BES a 40 anos com taxa de juro implícita de 7% chegavam aos clientes do BES através de sociedades criadas pela Eurofin, que pagavam 4% de juro. As mais valias geradas pela diferença na taxa de juro implícita servia para abater dívida de empresas do Grupo Espírito Santo.

Ainda segundo a reportagem do i, no mês de julho o BES tomou a decisão de recomprar as obrigações, multiplicando assim o prejuízo do banco. Para a deputada bloquista Mariana Mortágua, a notícia “prova mais uma vez aquilo que temos visto a constatar: este caso não é tanto uma falência bancaria, mas um conjunto de esquemas e de fraudes com contornos legalmente muito mais duvidosos".

Ouvida pelo i, a deputada que irá representar o Bloco na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES afirma que este será um dos temas na agenda das audições. “Ninguém sabe bem como [funcionava] nem o que é [o Eurofin]. Parece que  foi criado como um banco virtual da família e serviu para esconder passivos e para fazer esquema para beneficiar o grupo e sabe-se lá mais o quê”, declarou a deputada.

A Eurofin tem sede em Lausanne e está na mira de investigações por parte das autoridades suíças. Uma das figuras da empresa é o célebre contabilista Francisco Machado da Cruz, a quem Salgado começou por atribuir os prejuízos não registados nas contas da Espírito Santo International. Outro dos gestores da Eurofin é João Poppe, sobrinho de Ricardo Salgado e ex-administrador do BES, que fora sócio de João Moreira Rato - o ex-responsável do IGCP que fez parte da equipa liderada Vítor Bento nos últimos dias do BES e no nascimento do Novo Banco, por nomeação de Ricardo Salgado. O fundo de investimento administrado por João Poppe e Moreira Rato - Nau Capital, com sede em Londres - foi criado com 200 milhões de euros financiados pelo BES.

A Eurofin detinha também em conjunto com o BES a empresa Multipessoal, que serviu para pagar avenças aos altos quadros do banco, contornando assim o anunciado congelamento salarial decretado pela administração. Numa das reuniões do Conselho Superior da família Espírito Santo, cujas gravações foram obtidas pelo i, Ricardo Salgado assegurou aos restantes ramos da família que "o Sr. Cadosh [Alexandre Cadosh, presidente da Eurofin] tem feito um jeitão ao grupo em várias áreas".

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