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PT desvalorizou 87% mas manteve os prémios dos gestores

Enquanto o valor da empresa caía em bolsa e a remuneração dos trabalhadores era cortada, os gestores da Portugal Telecom continuaram a ganhar os mesmos prémios.
Zeinal Bava e Henrique Granadeiro. Foto João Relvas/EPA

Nos últimos dez anos, o valor da PT caiu 87%, mas os prémios aos gestores ficaram a salvo da destruição de valor da empresa. As ações que valiam 10,2 euros em 2004 valem esta semana 1,37 euros, mas a remuneração dos gestores que conseguiram este resultado manteve-se intocável ao longo da década. E os últimos prémios bateram o recorde desde 2006, somando 12,1 milhões de euros. Isto no ano em que os gestores decidiram aplicar quase toda a tesouraria em dívida da Rioforte, comprometendo o processo de fusão em curso com a brasileira Oi. E mesmo depois de sair pela porta pequena da presidência da Oi, Zeinal Bava garantiu para si um pacote de benefícios que totaliza mais 5,4 milhões de euros.

Muito diferente foi a situação vivida pelos funcionários da empresa, afetados pelos cortes salariais e pela ameaça de despedimentos. O custo médio por trabalhador do grupo PT caiu 21% entre 2005 e 2013, passando de 38,5 mil euros anuais para 30,4 mil euros.

As contas feitas em setembro pelo diário i calculam em 117 milhões de euros pagos pela empresa aos membros dos órgãos de gestão, administradores e conselheiros desde 2004. Os administradores executivos e não-executivos ficam com a parte de leão: 112,74 milhões, ou seja, mais de 10 milhões por ano.

Com o valor da empresa a afundar em bolsa, as "remunerações variáveis" pagas aos administradores não variaram quase nada: mantiveram-se sempre no intervalo entre os 2.2 milhões e os 3 milhões anuais. Juntando-lhe a remuneração fixa, cada administrador levou para casa ao fim de cada ano entre 6.9 e 21 milhões de euros.

Muito diferente foi a situação vivida pelos funcionários da empresa, afetados pelos cortes salariais e pela ameaça de despedimentos. O custo médio por trabalhador do grupo PT (para poder estabelecer a comparação, o i não conta com a PT Multimedia) caiu 21% entre 2005 e 2013, passando de 38,5 mil euros anuais para 30,4 mil euros.

Em 2011, a administração justificou a queda de 8,2% nos salários dos trabalhadores face ao ano anterior "em resultado do enfoque na redução de custos, incluindo menores remunerações variáveis e horas extra". Os cortes para os trabalhadores prosseguiram em 2012, ao mesmo tempo que a remuneração dos administradores disparou 15%, graças aos prémios e bónus pagos esse ano.

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