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O que é a Altice?

A empresa que quer comprar a PT já está habituada a adquirir empresas em Portugal por um décimo do valor que tinham alguns anos antes. Foi o caso da Cabovisão.

A Altice é um fundo de investimento com sede no Luxemburgo dedicado ao setor das telecomunicações. Três dos seus fundadores - Patrick Drahi, Bruno Moineville e Armando Pereira - estão hoje no top 5 dos milionários ligados à internet em França.

O fundador da Altice fez fortuna no negócio da televisão por cabo em França nos anos 1990, financiado por duas empresas norte-americanas do setor e vendeu a sua participação a tempo de evitar o estouro da “bolha da internet” nas bolsas. Só em 2002 criou a sua própria empresa, a Altice e desde então dedicou-se à compra de operadoras de cabo através do método de compra por endividamento (Leverage Buy Out), que se tem revelado um autêntico jackpot para os acionistas da Altice, ao mesmo tempo que consolidou o setor em França.

Na última década, a aposta no negócio da tv por cabo francesa significou a compra da Numericable, Noos, France Telecom Câble, TDFCâble e UPC France. Os fundos Cinven e Carlyle investiram forte no negócio e  Drahi, já considerado o “rei do cabo” em França, expande o império da Altice para Israel, Bélgica, Luxemburgo, Suíça, Portugal, República Dominicana e Antilhas. Em França, a Altice fundiu este ano a Numericable com a SFR, o gigante das comunicações móveis detido pelo grupo Vivendi, com o objetivo de criar o “campeão francês da convergência fixo-móvel”.

O negócio da Altice em Portugal

O primeiro grande negócio da Altice em Portugal foi a aquisição da Cabovisão aos canadianos da Cogeco Cable por 45 milhões de euros, em 2012. A empresa que é a terceira maior distribuidora de tv por cabo em Portugal, mas muito atrás da quota de mercado da Meo e Zon, tinha sido adquirida pelos canadianos em 2006 por 465 milhões de euros. Ou seja, foi vendida por um décimo do valor da compra seis anos antes. Com a aquisição da Cabovisão, a Altice deu início a um processo de despedimento coletivo de mais de 100 trabalhadores, quase 30% do total de funcionários da empresa, incluindo grávidas, lactantes e dirigentes sindicais.

Em junho de 2013, a Altice adquiriu a Oni ao grupo de Manuel Champallimaud por um valor a rondar os 80 milhões de euros. Neste caso, o negócio fez-se por metade do preço que foi pago pela empresa em 2006, quando este grupo comprou a ONI à EDP por 160 milhões. Com a aquisição da Oni, a Altice tinha como objetivo aproveitar a licença de acesso de banda larga e convertê-la em licença de quarta geração móvel, integrando-a na oferta de comunicações da Cabovisão. Tal como na empresa de cabo, à aquisição seguiu-se a restruturação da empresa e despedimentos.

Nas últimas semanas, o grupo Altice multiplicou-se em contactos com acionistas da PT, portugueses e brasileiros, para preparar a compra da empresa. Fontes da empresa citadas pela Lusa dizem que a Altice tem pressa em fechar o negócio de compra “a um preço sensato”.

Os franceses reuniram também com o vice primeiro ministro Paulo Portas para sinalizar o interesse na compra da PT. Presente na reunião esteve o advogado Daniel Proença de Carvalho, que representa os interesses da Altice nesta operação, através do escritório Uria Menéndez, de que é sócio-presidente.

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