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Filho do presidente da Guiné Equatorial vende mansão e Ferrari para se livrar de acusação de corrupção

Teodorin Obiang chegou a um acordo com a justiça norte-americana no valor de 30 milhões de dólares. O segundo vice-presidente da Guiné Equatorial terá ainda de entregar a sua mansão em Malibu, na Califórnia, um Ferrari e seis estátuas em tamanho real de Michael Jackson. Fortuna de Obiang no exterior totaliza 300 milhões de euros.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou um comunicado no qual os juízes norte-americanos afirmam que a fortuna do filho do presidente da Guiné Equatorial no exterior ascende a 300 milhões de dólares, tendo esse dinheiro sido adquirido através de corrupção.

Contudo, Teodorin Obiang, que aufere um salário anual de 100 mil dólares no governo da Guiné Equatorial, apenas terá de abdicar de 30 milhões de dólares para se ver livre da acusação de que é alvo. O segundo vice-presidente da Guiné Equatorial terá ainda de se desfazer da sua mansão em Malibu, na Califórnia, um Ferrari e seis estátuas em tamanho real de Michael Jackson.

Obiang irá manter, além da larga maioria da sua fortuna, um avião executivo, um iate e outras partes da sua coleção de itens que pertenceram a Michael Jackson, incluindo a famosa luva branca incrustada de cristais.

Nos termos do acordo firmado com a justiça norte americana, cerca de 20 milhões de dólares reverterão a favor de uma organização de caridade na Guiné Equatorial enquanto 10,3 milhões de dólares serão redistribuídos pelo povo equato-guineense, em função da legislação do país.

Teodoro Obiang também está a ser investigado em França, sendo acusado de branqueamento de capitais e desvio de fundos no âmbito do processo iniciado em dezembro de 2010, e que visa averiguar as condições em que três chefes de Estado africanos – o seu pai, Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial, Denis Sassou-Nguesso, da República do Congo, e o falecido Presidente do Gabão, Omar Bongo - adquiriram um grande património imobiliário e móvel em França.

O filho mais velho do ditador da Guiné Equatorial também é suspeito de branqueamento de capitais no Brasil.

Governada por um ditador há 35 anos, que ascendeu ao poder depois de um golpe de Estado sangrento em 1979, a Guiné Equatorial aderiu à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) no início deste verão, na cimeira de Díli, perante os protestos de várias organizações defensoras de direitos humanos.

Numa proposta de voto de condenação pela admissão da Guiné Equatorial na CPLP, rejeitada no Parlamento com os votos contra do PS, PSD e CDS, a abstenção do PCP, dos Verdes e de quatro deputados do PS, o Bloco de Esquerda frisava que esta aprovação envergonha Portugal e que se "trocaram os valores da defesa dos direitos humanos pelo petróleo e gás natural”.

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