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Estado Islâmico assume controlo de quartel-general em Kobane

Os jihadistas ganham assim terreno num dos três principais enclaves curdos do norte da Síria, perante a passividade das potências ocidentais e a manifesta conivência do governo turco. Adivinha-se uma verdadeira carnificina da população.

Desde 16 de setembro, Kobane, que integra a Região Autónoma de Rojava, tem vindo a ser alvo de sucessivos ataques por parte dos jihadistas do Estado Islâmico, tendo sido hoje anunciada, pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos, a queda do quartel-general da cidade.

Face a esta ofensiva, as potências ocidentais têm assumido uma política de “não-intervenção”, ao mesmo tempo que o governo turco de Erdogan e Davutoglu aumenta a presença militar na região, assistindo impavidamente aos confrontos que deixam adivinhar uma verdadeira carnificina contra a população curda.

A par de ter bloqueado todos os movimentos na fronteira com Kobane - quer no que respeita a pessoas e mantimentos como a armas e munições -, dentro das suas fronteiras, o governo de Erdogan e Davutoglu reprime as iniciativas de protesto contra a conivência do executivo turco face aos avanços do EI, utilizando canhões de água e bombas de gás lacrimogéneo contra os manifestantes.

Para responder às críticas sobre a sua recusa em ajudar a população de Kobane, o presidente turco lembra a ligação do partido revolucionário de Rojava, o Partido de União Democrática (PYD), ao Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK). “Para nós, o PKK é o mesmo que o EI. É errado procurar diferenças entre eles”, frisou Erdogan.

A 4 de outubro, o dirigente do PYD Saleh Muslim reuniu com oficiais dos serviços secretos militares turcos para pedir ajuda para Kobane. Em contrapartida, foi exigido ao PYD que se unisse ao Exército Sírio Livre (ESL) e se focasse na queda de Bashar al-Assad, se afastasse do PKK, abandonasse qualquer pretensão de manter um modelo de autonomia governativa e concordasse com a criação de uma zona tampão turca dentro das fronteiras sírias.

Convém esclarecer que Rojava se opõe ao regime de Assad e que a sua relação com as forças de oposição tem sido determinada pela posição do ESL face à reivindicação curda de reconhecimento da sua autonomia. Em várias zonas, as Unidades de Proteção Popular (YPG), braço armado do PYD, estabeleceram alianças com o ESL e algumas unidades deste exército estão a ajudar na defesa de Kobane.

EUA e seus aliados temem região de maioria curda democrática e auto-governada

A Nato, os EUA e a UE também classificam oficialmente o PKK como uma organização “terrorista”.

Ironicamente, foi o PKK que protegeu os yazidis quando as tropas do Estado Islâmico chegaram a Sinjar, no início de agosto deste ano, e os peshmerga, combatentes curdos, anunciaram que tinham recebido ordens de retirada e fugiram. Os EUA desfecharam ataques aéreos de proteção e atiraram mantimentos de para-quedas, em coordenação com o PKK.

Na realidade, se para os EUA e os seus aliados a expansão do EI constitui uma ameaça, o mesmo se poderá dizer do sistema de poder popular que o PYD aprofundou em Rojava. O temor relacionado com a existência de uma região de maioria curda democrática e autogovernada fala, neste caso, mais alto.

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