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BES: “Portugueses precisam de explicação para esta volta de 180 graus no discurso do Governo”

Referindo-se às declarações recentes do primeiro-ministro, em que este admitia perdas para os contribuintes pelo resgate ao BES, a coordenadora nacional do Bloco, Catarina Martins, questionou Passos Coelho sobre “como é que passámos de nem um cêntimo dos contribuintes para afinal são os contribuintes a pagar”. A deputada bloquista acusou ainda o ministro da Educação, Nuno Crato, de ser como o “professor pardal” por “fazer experiências com a vida das pessoas”.
Foto de Tiago Petinga, Lusa.

“Nos últimos três meses, ouvimos o primeiro-ministro e a ministra das Finanças a repetir, por diversas vezes, que nem um cêntimo dos contribuintes seria gasto com o BES. Logo a seguir a ser apresentada a solução pelo Banco de Portugal, o primeiro-ministro, ainda a banhos na Manta Rota, dizia que os contribuintes não voltariam a ser chamados à responsabilidade por problemas que não foram criados por eles”, lembrou Catarina Martins durante o debate quinzenal com Pedro Passos Coelho, que teve lugar esta sexta-feira na Assembleia da República.

Referindo-se às declarações recentes do primeiro-ministro, em que este admitia perdas para os contribuintes pelo resgate ao BES através da Caixa Geral de Depósitos (CGD), a coordenadora nacional do Bloco frisou que a CGD, que “fica com a fatia de leão da dívida”, não passou a ser um banco público nos últimos três meses.

“Não lhe vou perguntar pela sua palavra, porque o irrita muito e não sabe responder, mas pergunto-lhe se não acha que os portugueses precisam de explicação para esta volta de 180 graus no discurso do Governo. Afinal o que é que mudou? Como é que passámos de nem um cêntimo dos contribuintes para afinal são os contribuintes a pagar?”, questionou a dirigente bloquista.

Os bancos são demasiadamente importantes para continuarem a ser joguetes nas mãos de banqueiros que, claramente, não os sabem gerir e recorrem sempre ao dinheiro público. Quem paga manda. Se o Estado paga, o Estado deve mandar

"Em seis anos, seis vezes os contribuintes portugueses foram chamados a limpar seis bancos privados e o dinheiro público foi utilizado para pagar os desmandos privados. Os bancos são demasiadamente importantes para continuarem a ser joguetes nas mãos de banqueiros que, claramente, não os sabem gerir e recorrem sempre ao dinheiro público. Quem paga manda. Se o Estado paga, o Estado deve mandar”, defendeu Catarina Martins.

Segundo a deputada do Bloco, o que o Governo está a fazer, Passos Coelho explicou-o bem no Pontal: “Varrer para debaixo do tapete, fazer de conta e usar o dinheiro dos contribuintes para pagar a falta de ética e de escrúpulo”.

“Não tenho nada a acrescentar às suas próprias palavras”, frisou a dirigente bloquista.

Referindo-se ao facto de existirem ainda dois mil professores por colocar e milhares de alunos sem aulas, Catarina Martins acusou o ministro da Educação, Nuno Crato, de ser como o professor Pardal, da Walt Dysney, fazer experiências com a vida das pessoas”.

“O ministério da Educação é a imagem que Nuno Crato tentava projetar da Escola Pública quando ainda não estava no Governo: facilitismo, falta de rigor, nivelamento por baixo. É preciso recuar a Santana Lopes para encontrarmos um ano letivo que tenha começado tão mal”, frisou.

O caos na Justiça criado pelo Governo também foi alvo de crítica por parte da coordenadora nacional do Bloco.     

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