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Vítor Gaspar defende “política inteligente” (o oposto da que aplicou)

Ex-ministro das Finanças define a smart policy assim: “É aquela que apoia o crescimento e o emprego ao mesmo tempo que leva a dívida pública a níveis seguros”. Isto é, o inverso do que aplicou quando esteve no governo.
Quando era ministro, Gaspar aplicou o oposto da agora chamada "política inteligente". Foto de José Sena Goulão / LUSA
Quando era ministro, Gaspar aplicou o oposto da agora chamada "política inteligente". Foto de José Sena Goulão / LUSA

O ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar defendeu na quarta-feira, em Washington, onde apresentou o relatório Fiscal Monitor, a adoção de uma “política orçamental inteligente” nas economias desenvolvidas, que, para ele são aquelas onde subsistem as maiores vulnerabilidades e riscos orçamentais.

O atual diretor do Departamento de Assuntos Orçamentais do Fundo Monetário Internacional (FMI) definiu assim o seu conceito de smart policy (falou em inglês): “É aquela que apoia o crescimento e o emprego ao mesmo tempo que leva a dívida pública a níveis seguros”.

Enquanto esteve no governo, a política de Gaspar foi exatamente a oposta: houve recessão em vez de crescimento, o desemprego aumentou acentuadamente, e a dívida pública subiu para “níveis inseguros”.

Enquanto esteve no governo de Passos Coelho e Paulo Portas, a política de Gaspar foi exatamente a oposta: houve recessão em vez de crescimento, o desemprego aumentou acentuadamente, e a dívida pública subiu para “níveis inseguros”: em 2012, em pleno governo de Gaspar, Portugal era o terceiro país com maior dívida da zona euro (apenas a Grécia e a Itália estavam à frente) e até à sua demissão, em setembro de 2013, esta não parou de crescer.

Agora, em nome do FMI, Vítor Gaspar defende que o emprego tem de estar no topo da agenda global. E a política orçamental, afirma, pode melhorar as condições macroeconómicas que suportem a atividade económicas e o mercado de trabalho.

“É importante colocar a dívida pública em níveis mais sustentáveis. Mas também é importante estar atento à recuperação económica desigual e ao risco persistente de inflação baixa em alguns países, em particular na zona euro”.

Cabe a pergunta: se esta política que agora defende é “inteligente”, a outra, que aplicou quando ministro, era o quê?

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