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Bloco exige que Governo "cumpra a palavra" e que nenhum professor seja prejudicado

O líder parlamentar bloquista, Pedro Filipe Soares, defendeu que as consequências do "erro na fórmula matemática", que resultou no caos na colocação de professores, devem ser assumidas pelo Governo. Representantes de pais e encarregados de educação frisam que este processo tem “um impacto negativo” junto de toda a comunidade educativa. No próximo domingo, pelas 14h30, no Rossio, em Lisboa, os docentes manifestam-se pela demissão de “um ministro que mente”.
Foto de Paulete Matos.

Em declarações à Lusa esta sexta feira, Pedro Filipe Soares manifestou "perplexidade pela trapalhada" que continua por resolver e exigiu que o ministério da Educação esclareça como tenciona "cumprir o que tinha dito".

Segundo o dirigente do Bloco de Esquerda, as consequências do "erro na fórmula matemática", que resultou em erros na ordenação dos professores candidatos à Bolsa de Contratação de Escola, devem ser assumidas pelo Governo PSD/CDS-PP.

"O Governo disse que nenhum professor e nenhum aluno seria prejudicado. E não está a cumprir a sua palavra"

"Há professores colocados na primeira lista que fizeram escolhas, alugaram casa, prepararam a sua vida e que agora estão desempregados", frisou.

"O Governo disse que nenhum professor e nenhum aluno seria prejudicado. E não está a cumprir a sua palavra", afirmou ainda o líder parlamentar bloquista, sublinhando que 150 professores que tinham sido colocados perderam o lugar na nova lista.

“Os responsáveis de toda esta bagunça devem ser responsabilizados”

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), sublinhou que este ano está a acontecer “tudo o que não se deseja para o bom funcionamento das escolas” e que “milhares de horas letivas” já foram desperdiçadas.

“Deu-se um nó com este processo que é complicado de desatar”, avançou Jorge Ascensão, em declarações à agência Lusa.

Segundo o representante da Confap, todo este processo tem “um impacto negativo junto dos professores, das famílias e dos jovens”.

“Será desejável, e é nisso que temos insistido, que se encontre uma solução estável para o futuro”, afirmou Jorge Ascensão, frisando que espera que “pelo menos haja a lucidez” de evitar danos no futuro, porque neste ano letivo “os danos já estão criados”.

“São três semanas de alunos sem aulas. É mau de mais para ser verdade”

“São três semanas de alunos sem aulas. É mau de mais para ser verdade”, é preciso “olhar seriamente para o sistema educativo e tentar que funcione o melhor possível, para não hipotecar consecutivamente o país”, rematou.

A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) também manifestou a sua “indignação com mais uma decisão do Ministério da Educação e Ciência”.

Em comunicado, a CNIPE refere que a decisão do executivo PSD/CDS-PP “vai exigir que muitos dos [alunos], no decorrer da próxima semana, encontrem novos professores em sala de aula, os quais já nesta fase possuem um diagnóstico dos [alunos] para poderem criar as bases pedagógicas para o sucesso dos [alunos]”.

“O processo de colocação de professores foi errado, tardio e problemático”

A Conferação avança ainda que “esta decisão é tardia e podia ser evitada” e que “o processo de colocação de professores foi errado, tardio e problemático”.

“Não basta vir pedir de novo desculpa”, salienta a CNIPE, defendendo “que os responsáveis de toda esta bagunça sejam responsabilizados”.

Professores exigem demissão de um ministro que “mentiu ao país”

A Plataforma Sindical de Professores, composta por ASPL, FENPROF, SEPLEU, SINAPE, SIPE, SIPPEB e SPLIU, agendou para o Dia Mundial do Professor, assinalado no próximo domingo, dia 5 de outubro, um protesto em defesa da profissão.

Os docentes irão desfilar do Rossio para o Largo de Camões, em Lisboa, a partir das 14h30.

Na convocatória do evento, as organizações referem que, “neste dia, os docentes afirmarão a sua determinação em defender uma profissão que continua a ser de futuro e em combater, por todas as formas, as medidas que têm sido impostas por um governo há muito tempo desligado dos interesses, dos anseios, das expetativas e dos direitos de todos os portugueses”.

“Num estado democrático não pode um ministro mentir com esta desfaçatez"

O Sindicato dos Professores da Grande Lisboa apela a todos os docentes que participem neste protesto para “exigir a demissão de um ministro que mente”.

“Num estado democrático não pode um ministro mentir com esta desfaçatez. Em nome de um mínimo de decência na política esperamos que se demita ou que o demitam”, frisa a estrutura sindical.

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