You are here

Crato quebra promessa e retira professores já colocados

O caso da fórmula errada nas listas de colocação de professores teve esta sexta-feira um novo episódio: ao contrário do que prometeu quando pediu desculpas ao país, Nuno Crato mandou revogar todas as colocações.
Foto José Coelho/Lusa

No dia em pediu desculpas no Parlamento pelo erro na fórmula usada pelo Ministério para ordenar os professores candidatos à Bolsa de Contratação de Escola, o ministro da Educação prometeu que o problema se resolveria na semana seguinte. A promessa feita a 18 de setembro aos deputados não se cumpriu, e esta sexta-feira o Ministério enviou uma ordem para as escolas anularem as colocações dos professores que entraram ao serviço em setembro.

Em circular enviada às escolas com a assinatura da nova diretora-geral da Administração Escolar, que substituiu Mário Pereira após o pedido de desculpas de Nuno Crato, o Ministério ordena às escolas que notifiquem "todos os candidatos da decisão de anulação da colocação que obtiveram no seu agrupamento de escolas/escola não agrupada, decorrente das listas ordenação de 12 de setembro de 2014".

A decisão de anular as colocações veio desmentir a promessa feita por Crato de que "os professores colocados se mantêm" e que "ninguém seria prejudicado" quando saísse a nova ordenação. No parlamento, o ministro disse que iria avaliar "caso a caso", mas acabou por anular a colocação por completo.

Em circular enviada às escolas com a assinatura da nova diretora-geral da Administração Escolar, que substituiu Mário Pereira após o pedido de desculpas de Nuno Crato, o Ministério ordena às escolas que notifiquem "todos os candidatos da decisão de anulação da colocação que obtiveram no seu agrupamento de escolas/escola não agrupada, decorrente das listas ordenação de 12 de setembro de 2014".

A circular acrescenta que as escolas irão receber "uma nova comunicação, com a disponibilização das novas listas de ordenação" dos professores para o concurso.

Diretores perplexos com nova ordem do Ministério

A chegada da circular às escolas motivou reações imediatas de protesto por parte dos diretores. “Isto é um absurdo, está a causar uma imensa indignação entre os directores”, disse ao jornal Público o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares. Manuel Pereira acrescentou não dispor de “competência ou poderes para revogar um acto administrativo da Direcção-Geral da Administração Escolar, nem motivo para assumir um erro que não cometi e que o próprio ministro já disse ser da responsabilidade do Ministério”.

Também José Eduardo Lemos, presidente do Conselho das Escolas, fez a mesma interpretação da nova ordem emitida pela 5 de Outubro: “o Ministério da Educação cometeu uma ilegalidade ao ordenar e colocar os professores, quando a legislação determina que devem ser as escolas com autonomia a fazê-lo; e agora convida os directores a cometerem outra ilegalidade, que é revogar actos administrativos de terceiros”, declarou ao Público.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Política
Comentários (1)