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"A direita aceitou o inquérito aos submarinos para o esvaziar"

João Semedo reagiu ao chumbo do requerimento que pedia a suspensão dos trabalhos da Comissão de Inquérito até à chegada dos documentos solicitados pelos deputados a várias entidades.
Foto Paulete Matos

O pedido de suspensão dos trabalhos teve o acordo de toda a oposição, numa tentativa de impedir que fossem tiradas conclusões na Comissão Parlamentar de Inquérito sem que estivessem concluídas as transcrições dos depoimentos das personalidades ouvidas e sem os documentos solicitados pela Comissão a várias entidades.

"Se me perguntar hoje se esclareci algumas das questões que levaram à formação desta comissão, por exemplo se houve ou não favorecimento do fabricante alemão em relação a outros, ou do BES em relação aos outros, se existiram atos ilícitos ou corrupção, a estas questões a Comissão não está em condições de responder de forma clara e definitiva", declarou João Semedo aos jornalistas.

Com o chumbo do PSD e do CDS a este requerimento, João Semedo antevê que "esta Comissão ficará para a história parlamentar como a 'rapidinha'", pela velocidade a que chegou ao fim. "As Comissões de Inquérito devem levar tão longe quanto possível o apuramento dos factos e não serem comissões em que as dúvidas que existiam à partida ainda sejam maiores no final", defendeu o coordenador do Bloco, que tem participado nos trabalhos da Comissão.

"Se me perguntar hoje se esclareci algumas das questões que levaram à formação desta comissão, por exemplo se houve ou não favorecimento do fabricante alemão em relação a outros, ou do BES em relação aos outros, se existiram atos ilícitos ou corrupção, a estas questões a Comissão não está em condições de responder de forma clara e definitiva", declarou João Semedo aos jornalistas.

Semedo acredita que o PSD e o CDS só aceitaram a formação da Comissão "para o esvaziar e impedir que ela fizesse aquilo para que foi criada". Para o coordenador do Bloco, "o PSD e o CDS podem fechar rapidamente esta comissão e impedir que se esclareça o que era necessário esclarecer. Mas não podem impedir que estes assuntos relacionados com o financiamento dos submarinos e outros equipamentos, que envolveram grande parte do Grupo Espírito Santo e empresas associadas regressem novamente ao debate parlamentar", à medida que a imprensa continue a revelar novos dados.

Quanto ao que já foi possível apurar, mesmo sem o acesso a documentação importante relacionada com os contratos de aquisição de equipamento militares, Semedo regista ter encontrado "contradições entre vários depoimentos que envolvem Durão Barroso, Paulo Portas e outras figuras da política". No requerimento chumbado, a oposição pretendia ainda voltar a ouvir Paulo Portas e o ex-secretário de Estado Paulo Núncio, bem como o ex-cônsul Jurgen Adolf.

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