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Hong Kong: Revolução das Sombrinhas desafia regime chinês

No dia do aniversário da revolução chinesa de 1949, as autoridades fazem uma cerimónia-relâmpago perante o repúdio de milhares de manifestantes, que exigem democracia e a demissão do governador de Hong Kong.
As sombrinhas, que começaram a ser usadas como proteção contra o gás pimenta da polícia, desta vez protegeram os manifestantes do temporal.

A Revolução das Sombrinhas continua a sua marcha, esta quarta-feira, 1 de outubro, durante as comemorações do 65º aniversário da Proclamação da República Popular da China, feita por Mao Zedong, em 1949, com a vitória da revolução chinesa.

Mesmo com chuva torrencial e trovoada durante a noite passada, os manifestantes não arredaram pé, mantendo-se nas três principais localidades onde se realizam as concentrações, Admiralty, Mong Kok e Causeway Bay, concentrando cerca de 100 mil pessoas. Hong Kong era um mar de sombrinhas.

O que fora programado como um grande festa, onde se incluíam fogos de artifício, transformou-se numa cerimónia relâmpago, que durou apenas alguns minutos. Os fogos de artifício foram cancelados. As autoridades hastearam as bandeiras chinesa e de Hong Kong, com o hino a ser entoado. A fotografia oficial da comemoração mostra autoridades a brindar com champanhe durante a cerimónia.

Os jovens estudantes marcaram a sua presença durante o hasteamento das bandeiras, virando as costas e levantando os braços em cruz, em sinal de repúdio à atual situação.

Os jovens estudantes, encabeçados por Joshua Wong, líder do Scholarism, marcaram a sua presença durante o hasteamento, virando as costas e levantando os braços em cruz, em sinal de repúdio à atual situação. Levavam nos punhos fitas amarelas, que é a cor escolhida pela Revolução das Sombrinhas.

Durante o dia, o incansável socialista Leung Kwok-hung, conhecido como Cabelos Longos, liderou um protesto funerário para relembrar o massacre de Tiananmen e pela libertação dos presos políticos da China.

No momento em que escrevo não há nenhuma notícia sobre confrontos e a situação é, aparentemente, tranquila.

A luta democrática em Hong Kong não é apenas pelo sufrágio universal, mas também para derrubar o governador de Hong Kong, CY Leung.

Segundo a Reuters, os protestos alastraram-se a Macau e a Taiwan. Em Macau, segundo o South China Morning Post, cerca de 500 manifestantes fizeram uma manifestação de solidariedade a Hong Kong permitida pelas autoridades.

A posição chinesa

Durante as comemorações na China, segundo a agência de noticias Xinhua, o presidente Xi Jinping disse, terça-feira, que a China continuará a dar prioridade ao desenvolvimento, aderindo às reformas e inovações e perseverando no caminho do desenvolvimento pacífico. Xi fez, também, um apelo a ampliar a confiança no caminho do socialismo com características chinesas.

Não resta dúvida de que a farsa comunista serve apenas para dar continuidade a uma das mais poderosas ditaduras da história humana. As reformas que, sem dúvida, vão continuar, servem apenas para enriquecer a nova burguesia chinesa e dirigentes políticos como Xi Jinping, cuja família tem uma fortuna avaliada em 376 milhões de dólares. Não serão reformas para ampliar a democracia. O “socialismo” com características chinesas não é nada mais que um capitalismo bárbaro. Enquanto mantém milhões na miséria, beneficia um punhado de capitalistas e dirigentes do PCC, que também se transformaram em capitalistas enrustidos, como é o caso de Xi Jinping.

Cartoon de Arend van Dam

A mesma mão de ferro com que reprimem os movimentos sociais na China, será a que será aplicada em Hong Kong. É apenas uma questão de tempo e de tática. É pouco provável que a liderança chinesa possa permitir a derrubada de CY Leung sem fazer nada. A vitória da Revolução das Sombrinhas representaria um encurtamento da vida da atual ditadura chinesa.

Desde que os protestos começaram em Hong Kong, o governo chinês aumentou a censura na Internet banindo palavras como “tear gás” (gás lacrimogéneo) e “occupy”.

Não é de interesse de nenhuma potência imperialista que a atual crise de Hong Kong possa levar ao derrube da atual liderança. Basta lembrar que a China, ocupando o segundo posto da economia mundial, tem como principais parceiros comercias os EUA, o Japão e a União Europeia.

Mesmo uma indesejável intervenção militar das tropas chinesas, que podem ocupar Hong Kong em apenas um dia, não levaria a grandes retaliações.

A solidariedade internacional

Segundo divulgou o South China Morning Post, estão programadas para esta quarta-feira manifestações de solidariedade em vários cidades: Auckland, Christchurch (NZ), Melbourne, Kaohsiung, Taipé, Seul, Copenhaga, Glasgow, Edinburgh, Londres, Manchester, Newcastle, Oslo, Paris, Estocolmo, Boston, Houston, Providence, Seattle, Halifax, Washington DC, Montreal, Toronto, entre outras.

A solidariedade internacional, neste momento, é fundamental para que a luta democrática, em Hong Kong, possa ser vitoriosa. Como expressou a jovem socialista de Hong Kong Sally Tang: “Para os socialistas, a força-chave para as mudanças é a classe operária em Hong Kong e especialmente na China.”

Cronologia

22 de setembro – Começa a greve nas universidades, com a participação de 13 mil estudantes, que se prolonga durante a semana.

26 de setembro – Cerca de 1500 estudantes do secundário, alguns com 12 ou 13 anos, incorporam-se à luta dos universitários. A Polícia reprime a mobilização e prende vários estudantes.

28 de setembro – Milhares protestam nas ruas e a polícia ataca com gás pimenta. Ativistas defendem-se dos gases com sombrinhas, dando origem ao nome da luta: Revolução das Sombrinhas.

29 de setembro – Cerca de 180 mil manifestantes concentram-se em três áreas da cidade, Admiralty, Mong Kok e Causeway Bay.

30 de setembro – Mesmo com o temporal e a trovoada durante a noite, cerca de 100 mil manifestantes continuam nas ruas, usando agora os guarda-chuvas para se protegerem do temporal.

1 de outubro – Comemoração relâmpago do Dia da Proclamação da República Popular da China. Estudantes encabeçados por Joshua Wong viram as costas na cerimonia de hasteamento das bandeiras da China e de Hong Kong, levantam os braços em cruz, em repúdio à atual situação, usando fitas amarelas nos punhos. O dirigente socialista Leung Kwok-hung faz um protesto funerário, relembrando o massacre de Tiananmen e pela libertação dos presos políticos na China.

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