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Pelo menos oito migrantes morrem por dia a tentar alcançar uma vida melhor

Nos últimos 14 anos, perto de 40 mil pessoas morreram em migração em todo o mundo, das quais mais de metade procurava chegar à Europa. Os dados constam do relatório “Viagens Fatais: Apuramento de vidas perdidas durante a migração”, da autoria da Organização Internacional para as Migrações (OIM), que foi apresentado esta segunda-feira.
Foto de AcnurLasAmericas, flickr.

O documento, que constitui a pesquisa mais abrangente acerca de mortes durante processos migratórios, estima que, só este ano, já perderam a vida mais de 4.077 migrantes, sendo que 3.072 morreram durante a travessia do Mediterrâneo.

Segundo avança a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a taxa de mortes no Mediterrâneo é desproporcionalmente maior porque “reflete um dramático aumento no número de migrantes a tentar chegar à Europa”.

Só as autoridades italianas detetaram mais de 112 mil migrantes irregulares em 2014, o que equivale a um número cerca de três vezes maior do que o registado em 2013.

A OIM alerta que o universo real de mortes é, provavelmente, maior do que aquele que o relatório retrata, estimando que, por cada morte oficialmente reportada, existem pelo menos mais duas que não chegam ao conhecimento das autoridades.

"Os migrantes sem documentos não são criminosos, mas sim seres humanos necessitados de proteção e de assistência, com direito a assistência jurídica, e merecedores de respeito"

"Numa altura em que uma em cada sete pessoas em todo o mundo é migrante, é paradoxal que o mundo desenvolvido responda de forma dura às migrações. As oportunidades limitadas para uma migração segura leva os candidatos a migrantes a caírem nas mãos de contrabandistas, alimentando um comércio sem escrúpulos que ameaça a vida de pessoas desesperadas. Temos de pôr um fim a este ciclo. Os migrantes sem documentos não são criminosos, mas sim seres humanos necessitados de proteção e de assistência, com direito a assistência jurídica, e merecedores de respeito", escreve o diretor-geral da Organização, William Lacy Swing, no estudo.

O representante da OIM lembra que "há um ano, o mundo assistiu com horror quando cerca de 360 migrantes perderam a vida ao tentarem nadar até às costas da ilha italiana de Lampedusa”, sublinhando que, “infelizmente, o horror parece não ter fim”, já que “quase 500 migrantes morreram ao largo de Malta poucas semanas antes da publicação deste relatório”.

 “É altura de fazermos mais do que apenas contar o número de vítimas. É altura de pedir ao mundo para acabar com esta violência contra pessoas desesperadas”, defende William Lacy Swing.

Já o autor do relatório, Frank Laczko, citado pelo The Guardian sublinha que "não há nenhuma organização mundial atualmente responsável pela monitorização sistemática do número de mortes".

"Apesar de serem gastas avultadas somas na recolha de informação sobre migrações e controlo de fronteiras, muito poucas agências recolhem e publicam informação sobre mortes de migrantes"

"Apesar de serem gastas avultadas somas na recolha de informação sobre migrações e controlo de fronteiras, muito poucas agências recolhem e publicam informação sobre mortes de migrantes", refere o responsável pelo departamento de investigação da OIM.

A investigação que deu origem ao relatório “Viagens Fatais: Apuramento de vidas perdidas durante a migração” teve início após a morte de perto 400 pessoas ao largo da ilha italiana de Lampedusa, a 3 de Outubro de 2013.

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