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Greve dos enfermeiros: “A maior riqueza do SNS são os seus profissionais”

O coordenador do Bloco esteve presente esta manhã no Hospital de S. José, em Lisboa, em solidariedade com a luta dos enfermeiros. João Semedo defendeu que a paralisação, que tem lugar esta quarta e quinta feira, é “em defesa do SNS e dos cuidados prestados nos serviços de saúde públicos”. O presidente do Sindicato dos Enfermeiros - SEP, José Carlos Martins , avançou com dados sobre a adesão ao protesto.
Foto de Paulete Matos.

Em declarações aos jornalistas, o dirigente bloquista manifestou a solidariedade do Bloco para com os enfermeiros mas também a sua preocupação “com o que hoje se vive no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

“O Governo gasta demasiado dinheiro na banca e depois falta-lhe dinheiro para investir no SNS”

“O Governo gasta demasiado dinheiro na banca e depois falta-lhe dinheiro para investir no SNS”, lamentou João Semedo, frisando que “sem enfermeiros em número suficiente o SNS não vai conseguir trabalhar em condições”.

“O SNS precisa de profissionais em número suficiente e com condições de trabalho que deem garantias de qualidade e de bom desempenho. Atualmente não é isso que se verifica. Faltam médicos, faltam enfermeiros em grande quantidade. Os enfermeiros estão numa situação de exaustão profissional. A maior parte dos enfermeiros trabalha 48 ou 56 horas, o que torna impossível um bom desempenho profissional”, acrescentou o coordenador nacional do Bloco.

Lembrando que “os grevistas não lucram nada com a greve, pelo contrário, são prejudicados” e que “o ganho de quem faz greve é o ganho de coerência, é o ganho de causa”, João Semedo registou ainda que “no ano em que se celebram os 35 anos de SNS, esta greve é também em defesa do SNS, em defesa dos cuidados prestados nos serviços de saúde públicos”.

Segundo o coordenador do Bloco, a paralisação é ainda “um apelo para que o governo e todos aqueles que decidem sobre política de saúde invistam no SNS, dotando-o dos profissionais necessários, em condições de trabalho, em condições de remuneração, para que possam ser um instrumento de que o SNS precisa para ser mais moderno, mais humano e mais capaz na resposta aos problemas de saúde”.

Para João Semedo, as promessas do Governo são “ridículas” e “representam uma pequeníssima gota de água num oceano imenso de carência de profissionais”.

“Quem paga o SNS são os impostos dos portugueses e os portugueses querem que os seus impostos não sejam gastos, nem ardidos, na banca, mas sim nos serviços públicos, como o SNS”, rematou.

Elevada adesão dos enfermeiros

O presidente do Sindicato dos Enfermeiros - SEP, José Carlos Martins, registou a elevada mobilização dos enfermeiros, com todos os hospitais, com exceção de quatro - Hospital Pulido Valente, Hospital de Águeda, Hospital de Vila Franca de Xira e Hospital da Covilhã - a registarem uma adesão à greve no turno da manhã acima dos 80%.

No turno da noite, para o qual estavam escalados cerca de 2025 enfermeiros, 1775 profissionais aderiram à paralisação mas asseguraram os serviços mínimos, já que o número de profissionais que está escalado à noite é o necessário para cumprir estes serviços.

Perante a "expressão da insatisfação dos enfermeiros", que, sabendo que não iriam receber remuneração e que, na prática, estariam a trabalhar para cumprir os serviços mínimos, optaram por, mesmo assim, aderir à greve, “o ministro da Saúde, em vez de tentar desvalorizar este protesto, deveria apresentar propostas concretas, claras e objetivas, para a solução dos problemas dos profissionais, porque sem profissionais não há resposta aos utentes e não há SNS que resista”, defendeu o dirigente sindical.

ESQUERDA.NET | Greve dos enfermeiros | 24.09.2014

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