Crato questionado sobre escola que divide alunos por notas

22 de September 2014 - 22:20

O Bloco de Esquerda quer que o ministro tome “medidas urgentes” para impedir que a direção da EB 2,3 da Arrifana possa dividir turmas do 9º ano ao meio, com base no critério do aproveitamento escolar passado.

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A escola EB 2,3 da Arrifana pretende dividir os alunos com melhores e piores notas na preparação do exame do 9º ano.

A intenção da EB 2,3 da Arrifana, no concelho de Santa Maria da Feira, já foi comunicada aos encarregados de educação: para melhor preparar os exames do 9º ano, a direção da escola irá promover aulas de apoio específicas com 90 minutos de duração, dividindo cada turma em dois. Mas o critério utilizado para esta divisão consiste apenas no aproveitamento escolar no ano letivo passado. Para o Bloco de Esquerda, este critério “coloca em causa as boas práticas pedagógicas, assim como o conceito de escola inclusiva e democrática”.

“O que seria uma boa medida de apoio aos alunos redunda na aplicação de critérios altamente questionáveis na divisão dos alunos nos dois grupos”, diz Pedro Filipe Soares.

Na pergunta entregue na Assembleia da República, Pedro Filipe Soares questiona o ministro Nuno Crato sobre esta decisão da direção da escola e desafia-o a  “adotar medidas urgentes para impedir este tipo de práticas atentatórias da democraticidade da escola pública”.

“O que seria uma boa medida de apoio aos alunos redunda na aplicação de critérios altamente questionáveis na divisão dos alunos nos dois grupos”, justifica o deputado bloquista, defendendo que “os grupos e as turmas heterogéneas são essenciais para o desenvolvimento pessoal e enquanto cidadãos”, Por outro lado, acrescenta Pedro Filipe Soares, “é também sabido que o clima económico e social que os alunos trazem de casa é o que mais influencia o seu desempenho escolar”. Ou seja, “ao dividir os grupos e as turmas tendo como critério as notas escolares, o que se está a fazer é tornar a escola um mecanismo de reprodução social, quando ela deveria servir para ser um mecanismo de igualdade de oportunidades”.

Esta prática de dividir os alunos em grupos consoante o aproveitamento não é inédita nas escolas portuguesas, tendo sido aplicada no ano letivo passado no Porto, na escola Rodrigues de Freitas.