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"Bloco de Esquerda repudia todos os atos de violência e terrorismo"

Intervenção da deputada Mariana Mortágua na Assembleia da República sobre o Estado Islâmico (19-09-2014).
Mariana Mortágua: A ascensão desta forma máxima de terror não é a expressão de qualquer religião, ao contrário do que alguns tentam fazer crer.
Mariana Mortágua: A ascensão desta forma máxima de terror não é a expressão de qualquer religião, ao contrário do que alguns tentam fazer crer.

O proclamado Estado Islâmico é a expressão máxima e gratuita do poder indiscriminado do terror. Terror que se abate sobre populações indefesas, obrigadas a migrações em massa, sobre as mulheres, vítimas de violação como arma de guerra e de uma opressão sem fim.

A ascensão desta forma máxima de terror não é a expressão de qualquer religião, ao contrário do que alguns tentam fazer crer, sendo certo que as principais vítimas do ISIS são precisamente as populações islâmicas destes territórios.

Não pode haver nenhuma contemplação com esta força nem com os seus apoiantes externos – que devem ser perseguidos e sancionados. É por isso mesmo preciso parar o fluxo financeiro através de paraísos fiscais que permite a subsistência desta forma de barbárie.

É por isso necessário e urgente sancionar quem financie, através da compra de petróleo, a construção deste protoestado do terror.

Não pode haver nenhuma contemplação com esta força nem com os seus apoiantes externos – que devem ser perseguidos e sancionados. 

Concordamos com o PSD, quando diz no seu voto que “a ascensão do Estado Islâmico vem provar que o mundo está hoje mais perigoso e imprevisível”. Mas não nos esquecemos das alterações geoestratégicas que potenciaram esta mudança no mundo.

A invasão do Iraque, vergonhosamente sufragada nos Açores por Durão Barroso, a pretexto de uma mentira infame, não só não trouxe a democracia e liberdade prometidas, como gerou o caos que se tem abatido na última década sobre a região.

Independentemente das considerações sobre o que nos trouxe até à calamidade atual, o que importa agora é concentrar todos os esforços na defesa das populações que estão sob ocupação e a ser chacinadas.

O reconhecimento dos erros cometidos num passado recente, deve levar-nos a recusar formas de intervenção ilegítima (sem o mandato internacional da ONU), ao arrepio do direito internacional e sem o acordo dos parceiros estratégicos. Estas intervenções ilegítimas só terão como resultado incendiar a região e reforçar os extremismos que importa combater neste momento.

É por isso que afirmamos que o que aconteceu hoje com o bombardeamento de França nestes territórios é inaceitável. Hoje, como no passado, ninguém tem o direito de se autoproclamar polícia do mundo. Aliás, esta atitude só nos mostra como continuamos a não aprender com os erros que nos trouxeram à situação que hoje vivemos e que hoje tentamos controlar.

Dito isto, o Bloco de Esquerda repudia todos os atos de violência e de terrorismo que se vivem nestes territórios prestamos o nosso pesar às vítimas deste extremismo violento e apelamos a que a comunidade internacional encontre uma solução justa, democrática e que defenda os interesses destas populações.  

"Bloco de Esquerda repudia todos os atos de violência e terrorismo"

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Resto dossier

Estado Islâmico: o que é, quem o financia, o que pretende?

Em poucos meses, o avanço irresistível das forças do Estado Islâmico provocou o colapso do Exército iraquiano e conquistou dezenas de cidades, algumas estratégicas, da Síria e do Iraque. No final de junho foi proclamado o novo califado. Mas de onde veio esta organização desconhecida até há uns meses? Quem a criou? De onde vêm os seus fundos? Por que usa práticas bárbaras? Dossier organizado por Luis Leiria.

Abu Bakr Al-Baghdadi, ou o califa Ibrahim

Perguntas e respostas sobre o Estado Islâmico

Sabia que o atual líder do EI já esteve detido num campo de prisioneiros dos Estados Unidos? E que o território do EI equivale ao do Reino Unido? E que quem salvou milhares de yazidis de serem massacrados pelo EI foi uma organização considerada terrorista por Washington? Veja mais nas perguntas e respostas que se seguem. 

O jornalista Steven Stoloff

Qual é a estratégia do Estado islâmico?

Para combater de forma eficaz o Estado islâmico, é preciso compreender aquilo de que ele é expressão. Ele é expressão de dois grandes fracassos políticos: o do regime sírio e o do regime iraquiano que, em contextos diferentes, com papéis diferentes da comunidade internacional, ostracizaram, marginalizaram, reprimiram a componente sunita da população. Entrevista com François Burgat, conduzida por Alexandra Cagnard.

Os defensores da intervenção militar perguntam se a estratégia, sobretudo a promessa de Obama de não enviar forças de combate, será suficiente para alcançar os seus objetivos. Foto de Lawrence Jackson

Estratégia de Obama contra o Estado Islâmico não convence nos EUA

Apesar de o plano do presidente ter obtido a cautelosa aprovação da maioria dos parlamentares, muitos dizem que gerou tantas dúvidas quanto respostas. Por Jim Lobe, IPS

O que se deve fazer ao Exército Islâmico após a decapitação de James Foley?

A 'guerra ao terror' tem visto o jihadismo tornar-se mais forte do que nunca e o Ocidente deve ter cuidado para não apoiar as jogadas do EI (Estado Islâmico). Por Owen Jones, The Guardian.

Mariana Mortágua: A ascensão desta forma máxima de terror não é a expressão de qualquer religião, ao contrário do que alguns tentam fazer crer.

"Bloco de Esquerda repudia todos os atos de violência e terrorismo"

Intervenção da deputada Mariana Mortágua na Assembleia da República sobre o Estado Islâmico (19-09-2014).

O grande aumento da força e do alcance das organizações jihadistas na Síria e no Iraque tinha, em geral, passado despercebido aos políticos e aos meios de comunicação no Ocidente.

Como a 'Guerra ao Terror' criou o grupo terrorista mais poderoso do mundo

Políticas contraditórias de Washington na Síria e no Iraque garantiram que o Estado Islâmico do Iraque e do Levante pudesse fortalecer-se. Até agora, os EUA evitaram ser culpabilizados pelo crescimento do EI e conseguiram pôr toda a culpa no governo iraquiano. Mas a verdade é que criaram uma situação na qual essa organização pode sobreviver e prosperar. Por Patrick Cockburn, TomDispatch

O EI é inimigo mortal das mulheres, do movimento operário e de todas as forças progressistas da região.

O Estado Islâmico, uma força reacionária, um inimigo mortal

O Estado Islâmico (EI) foi promovido durante o verão à condição de inimigo número um dos Estados Unidos e dos seus aliados. A sua expansão para Bagdade, ao sul, e para o estado autónomo curdo, ao norte, marcaram a sua ação. Ao mesmo tempo, a organização jihadista multiplicou os seus crimes. Por Henri Wilno, L'Anticapitaliste

Wikileaks: EUA armaram Estado Islâmico que agora combatem no Iraque

Segundo documentos obtidos pelo jornal britânico The Guardian, grande parte do armamento utilizado pelo EIIL veio de grupos armados pelos EUA e cooptados por Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Califado Islâmico, que hoje controla territórios na Síria e no Iraque.

O mundo árabe e a nova desordem mundial

Entre a “decadência” norte-americana e a falta de alternativas, nenhum acontecimento acelerou e revelou melhor ambos os processos que as fracassadas revoluções árabes e o surgimento do seu seio - ou do seu fracasso - do Estado Islâmico (EI). Por Santiago Alba Rico.