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Derrota de Crato provoca demissão no Ministério

O ministro da Educação foi ao Parlamento para elogiar a “normalidade” da abertura do ano letivo, mas perdeu o debate e saiu a pedir desculpa ao país e aos professores. O diretor-geral da Administração Escolar pediu a demissão e Luís Fazenda defendeu que a classificação da Bolsa de Contratação de Professores deve agora “recomeçar do zero”.
Nuno Crato à saída do debate em que foi obrigado a reconhecer o erro matemático da sua Bolsa de Contratação de Escola. Foto José Sena Goulão/Lusa

“O ministro veio hoje aqui falar de estabilidade da abertura do ano letivo e acabou por perder o debate e sair daqui a pedir desculpa aos portugueses. Isso é algo que o primeiro-ministro deveria refletir profundamente”, referiu Luís Fazenda, que protagonizou pelo Bloco de Esquerda o debate parlamentar com Nuno Crato esta quinta-feira. Em apenas 48 horas, o ministro da Educação tornou-se o segundo membro do Governo a pedir ao país que o perdoe.

“O ministro não pode vir aqui carpir umas lágrimas e dizer ‘é um pequeno percentual, vamos tentar corrigir’”, insistiu Luís Fazenda, criticando também Nuno Crato pela demora em reconhecer o erro matemático

Depois de ter sido confrontado duas vezes pelo Bloco de Esquerda sobre o erro da fórmula matemática usada para classificar os milhares de professores candidatos na Bolsa de Contratação de Escola, o ministro acabou por admitir que as listas publicadas na passada sexta-feira têm um erro. “Um erro de relação de escalas é por definição um erro de matemática, que tem implicações jurídicas e outras”, referiu Luís Fazenda, que defende o que diz ser a “conclusão óbvia”: “anular as listas, recomeçar do zero e perceber que não pode manter um sistema de colocação em que todo o processo está viciado e errado”.

“O ministro não pode vir aqui carpir umas lágrimas e dizer ‘é um pequeno percentual, vamos tentar corrigir’”, insistiu Luís Fazenda, criticando também Nuno Crato pela demora em reconhecer o erro matemático que fora denunciado pelos professores, mas também pelos especialistas de matemática. “Aquele sistema de classificação deve ser anulado e começado do zero com uma fórmula matemática que não esteja errada”, concluiu o deputado do Bloco.

No parlamento, o ministro tentou convencer os deputados que o arranque do ano letivo correu melhor que nos anos anteriores, mas depois das insistências sobre a situação da fórmula errada, Nuno Crato viu-se obrigado a reconhecer o erro, um momento “que não é comum na História”, nas palavras do ministro: “Peço desculpa aos professores, aos pais, ao país", aos senhores deputados", disse, atribuindo em seguida a responsabilidade aos “serviços do ministério”.

As palavras do ministro provocaram o pedido de demissão do director-geral da Administração Escolar, Mário Agostinho Pereira, que ocupava o cargo desde 2009. Mas para as associações e sindicatos de professores, isso não é suficiente. "Pode [o ministro] responsabilizar os “serviços” pelos erros técnicos, constatando a sua incompetência, mas a responsabilidade política, essa é sua e da sua equipa. Deveriam demitir-se”, conclui o comunicado assinado por ASPL, FENPROF, SEPLEU, SIPE, SIPPEB, SINAPE e SPLIU.

Estas organizações defendem que "sejam rapidamente publicadas novas listas das Bolsas de Contratação de Escola, organizadas no respeito pela lei" e que sejam também "divulgados, escola a escola e por grupo de recrutamento, os subcritérios e respetiva ponderação, bem como a classificação atribuída aos candidatos por cada subcritério", para além da abertura de períodos de reclamação. Quanto aos professores que "foram ilegalmente excluídos das listas" por não terem participado na polémica prova organizada pelo Ministério.

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