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Novo Banco: “Venda a preço de saldo é a mesma história do BPN”

Para Catarina Martins, a substituição da administração do Novo Banco é a prova da “irresponsabilidade” do poder político e financeiro na gestão de mais de 4 mil milhões de euros do erário público. Para o Bloco, “se o Estado pagou, deve controlar” o Novo Banco.
Foto Paulete Matos.

A coordenadora bloquista falou aos jornalistas à margem de uma conferência de imprensa sobre o Bairro do Aleixo, onde o projeto imobiliário da responsabilidade de um fundo gerido pelo Grupo Espírito Santo está em suspenso após as demolições e a saída forçada da população. Sobre as notícias da saída da equipa de Vítor Bento do Novo Banco, Catarina Martins afirmou que ela “não deixa de espantar, porque parece de um amadorismo atroz. Não se compreende a irresponsabilidade de quem pôs em causa mais de 4 mil milhões de euros do erário publico e não se tenha acertado sequer sobre a venda ou o timing da venda [do banco]”.

“Não podemos acreditar que quem desenhou uma solução para um problema tão grande como o do BES não tenha pensado no que estava a acontecer. Se não pensou, isso é de uma irresponsabilidade gritante”, afirmou a coordenadora do Bloco,

“Não podemos acreditar que quem desenhou uma solução para um problema tão grande como o do BES não tenha pensado no que estava a acontecer. Se não pensou, isso é de uma irresponsabilidade gritante”, afirmou a coordenadora do Bloco, citada pela agência Lusa. Tudo indica que a decisão tomada por Carlos Costa e Passos Coelho é a venda imediata do Novo Banco “a preço de saldo a privados”. E Catarina Martins lembra que “a história do BPN é precisamente essa: limpou-se o banco com dinheiro público e depois vendeu-se a preço de saldo a privados. O que o Governo quer fazer é exatamente o mesmo. Isso não é aceitável”, sublinhou.

O Bloco insiste que o Novo Banco deve ficar sob controlo público, tal como a Caixa Geral de Depósitos (CGD), “como um instrumento ao serviço da economia, do crédito às empresas, para criar emprego. Para que o dinheiro público que lá foi colocado não seja dinheiro para entregar a privados, mas seja um instrumento para o crescimento da economia e criação de emprego”, prosseguiu Catarina Martins.

Para a coordenadora do Bloco “o que está a acontecer mostra, a cada dia, que a proposta do Bloco é a necessária”, uma vez que a situação atual é “insustentável”. “Não podemos ter dinheiros concorrentes a gerir dinheiros públicos”, concluiu.

Bloco exige fim do fundo imobiliário do Aleixo

O tema da visita ao Bairro do Aleixo este sábado foi justamente o fundo imobiliário com participação da autarquia e da Rioforte, uma das empresas do universo falido do Grupo Espírito Santo. “O que está aqui em causa é um fundo imobiliário para especulação no bairro do Aleixo, com a seguinte regra: vamos fazer isenções fiscais porque vamos fazer reabilitação urbana”. Mas “não há nenhuma reabilitação urbana”, alertou Catarina Martins: “o que há é demolição para entregar à especulação imobiliária, com isenções fiscais, vários terrenos numa zona extraordinária com vista para o rio”.

Depois da demolição de duas das cinco torres do Bairro do Aleixo no mandato de Rui Rio, o novo presidente da Câmara “fez uma investigação interna, decidiu que não tinha nenhum problema e não se pronunciou mais sobre isso. O que Bloco exige é que esse fundo acabe. Não podem as câmaras ter negócios de especulação financeira nem podem existir benefícios fiscais para especulação imobiliária”, defendeu a coordenadora do Bloco.

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