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Está difícil ser jovem!

No Portugal da finança e da austeridade, os jovens não têm por onde escapar. Num lado chove, no outro troveja!

Nos últimos anos temos assistido a um aumento exponencial do número de jovens com qualificações académicas que emigram. O desemprego e a falta de perspetivas estão na origem desta verdadeira sangria de recursos humanos.

Em 2012 o desemprego afetou 39,1% dos jovens com habilitações superiores e se em 2014 se registou uma ligeira descida para 35,4% foi graças à emigração maciça, incentivada e aplaudida pelo Governo PSD/CDS que não tem pejo algum em hipotecar o futuro do país.

No que se refere às taxas de desemprego jovem, Portugal ocupa lugares cimeiros no ranking dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), sendo o terceiro país onde a taxa é mais elevada.

Reportando-se à Educação, o relatório da OCDE refere que Portugal despendeu com cada estudante do ensino público 6.200 euros por ano, contra os cerca de 7.000 euros gastos em média pelos quarenta e quatro países analisados.

Se nos circunscrevermos apenas ao ensino superior, que acaba de sofrer novos cortes no financiamento, constatamos que o investimento por cada aluno ronda os 7.727 euros, enquanto a média dos 34 países da OCDE é de quase 11 mil euros.

Este quadro negro agrava-se com o crescimento exponencial do número dos chamados jovens “nem-nem”, aqueles que nem estudam nem trabalham. De acordo com o relatório Education at a Glance divulgado em Portugal no dia 9 de setembro os jovens inativos representavam em 2012 quase 17% da população nacional entre os 15 e os 29 anos. Portugal é o 10.º país do mundo com maior percentagem, numa tabela liderada pela Turquia (29,2%) e onde a Holanda ocupa a melhor posição (6,71%).

No Portugal da finança e da austeridade os jovens não têm por onde escapar. Num lado chove, no outro troveja!

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Professora.
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