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O futuro visto de Berlim

Para os que estão desatentos sobre os debates realmente existentes na Europa, ou que fantasiam uma Europa amável que acorre aos problemas que vai impondo aos países, é conveniente ler este manifesto de Schauble.

Pedro Adão e Silva chamou a atenção para o texto de Schauble, ministro das finanças da coligação CDU-SPD, e de Karl Lamers, deputado da CDU, publicado no Financial Times (31 agosto, depois traduzido para português).

O texto apresenta duas propostas concretas. A primeira é “um comissário europeu do orçamento com poder para rejeitar os orçamentos nacionais que não cumprirem as regras definidas em conjunto”. A segunda é “criar núcleos de cooperação no seio da UE para que grupos pequenos e motivados de estados membros possam seguir em frente”.

A primeira proposta vem no seguimento do que as autoridades alemães, em particular o ministro Schauble, têm vindo a defender: um ministro europeu das finanças. Agora é mais contido, limita-se a propor um comissário. Mas que comissário: teria mais poder do que a Comissão propriamente dita, porque poderia vetar orçamentos nacionais, ou seja, sobrepor-se a qualquer governo e parlamento. Em Portugal, seria preciso abdicar da Constituição para que isto se realizasse, mas já estivemos mais longe (as regras europeias já determinam uma fiscalização prévia do Orçamento).

A segunda proposta, como assinala Adão e Silva, significa que o futuro do euro é desenhado excluindo necessariamente alguns países.

Para os que estão desatentos sobre os debates realmente existentes na Europa, ou que fantasiam uma Europa amável que acorre aos problemas que vai impondo aos países, é conveniente ler este manifesto. Também é aconselhável para os colaboracionistas.

É a voz de quem manda.

Artigo publicado em blogues.publico.pt a 8 de setembro de 2014

Sobre o/a autor(a)

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.
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