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Prioridades

Lisboa é uma cidade onde os mais recentes indicadores apontam para o aumento da pobreza, de pessoas sem abrigo, de famílias com cada vez mais dificuldade em adquirir livros escolares. Estes são apenas alguns exemplos de que a política social da câmara não está a dar frutos.

A Assembleia Municipal de Lisboa volta ao ativo agora em Setembro, sendo que se aproxima um debate fundamental, o debate do estado da cidade.

Um debate que deve preocupar e interessar a todos e todas, uma oportunidade para debater e refletir sobre os temas fundamentais da cidade: o que irá acontecer aos transportes de Lisboa? Concessão, privatização, municipalização?

Depois do alarido de António Costa com a proposta de municipalização do Metro e da Carris, tudo aponta para o negócio privado, com negócio praticamente fechado por parte do Governo. Resta saber com quem e quem moldes; mas uma coisa é certa: o que espera os utilizadores dos transportes públicos é menos oferta de carreiras e carruagens, preços cada vez mais altos.

E sobre habitação? A regra tem sido vender, vender, vender! Desafetações de domínio público para o privado, negócios sobre terrenos que envolvem milhões de euros... tudo sem que a transparência se faça ver.

Uma cidade onde os mais recentes indicadores apontam para o aumento da pobreza, de pessoas sem abrigo, de famílias com cada vez mais dificuldade em adquirir livros escolares, são apenas alguns exemplos de que a política social da câmara não está a dar frutos. Não está a dar frutos nem se antevê que seja uma preocupação real deste executivo e de António Costa.

Com um fundo de emergência social que em pouco ultrapassa o que o Rock in Rio foi isentado, a sua execução também foi mínima. Não muito longe da visão da maioria governamental PSD/CDS-PP, política social é cada vês mais vista e executada como caridade, também na cidade de Lisboa. Atente-se só à mais recente "política social" cuja premissa é recolher restos de restaurantes para distribuir pelos mais carenciados. A dignidade das pessoas não entra nesta equação.

Tantos problemas nesta cidade a que urge responder e António Costa focado em eleições internas no seu partido, com os olhos postos já no cargo de primeiro-ministro, arrecadando para os cofres da cidade e para o seu sucessor através de negociata atrás de negociatas, sem interesse pelas pessoas que cá vivem ou trabalham.

Há que ter noção do trabalho que é necessário fazer e definir prioridades. E claramente estas não têm sido as pessoas, as condições que lhes são oferecidas para viver na cidade, para trabalhar nela, para se movimentarem nela. As prioridades agora estão mais longe, para os lados de S. Bento!

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Licenciada em Ciências Políticas e Relações Internacionais e mestranda em Ciências Políticas
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