You are here

Era uma vez um arrastão policial

O Centro Comercial Colombo recebeu mais um meeting. "Vamos conhecer o pessoal sem estrilhos e com diversão" foi a forma mais pacata de juntar polícias, jornalistas e seguranças privados.

Na quarta-feira, o Centro Comercial Colombo recebeu mais um meeting. "Vamos conhecer o pessoal sem estrilhos e com diversão" foi a forma mais pacata de juntar polícias, jornalistas e seguranças privados. Nada de estranhar, partindo do pressuposto que quem mais trabalhou para o sucesso deste encontro não deixou de estar presente.

O episódio do passado fim-de-semana em Cascais, aquando do concerto de Anselmo Ralph faz-nos lembrar a todos o famoso ‘arrastão’ de 2005 na praia de Carcavelos. Numa confusão que, talvez nunca tenha existido, o caos é instaurado com a intervenção por parte da Polícia de Segurança Pública.

Incapacidade na atuação ou manobra de marketing?

Vivemos na era do medo. E é sempre preciso criar esse sintoma onde ele não existe ainda. Os meetings são um perigo para quem participa neles e decide fazer daquilo um espaço de confronto físico. É, sem dúvida, um fenómeno que merece a atenção de todos. Mas não nos enganemos achando que a segurança de todos os visitantes de um centro comercial ou o público de um concerto é completamente posta em causa. Maior será o perigo quanto mais espalhafato a intervenção policial criar.

A dúvida permanece e muita gente não desiste de tentar perceber se as dezenas de notícias que invadiram os telejornais e a imprensa sobre o fenómeno dos meetings servem para incriminar as dezenas de pessoas que participam nelas sem qualquer tipo de análise ou para aplaudir a capacidade da PSP quando consegue criar o caos num concerto onde um desacato se torna no cancelamento do próprio espetáculo.

Não escolhemos o que vemos na televisão e acordamos todos os dias com os noticiários dizendo-nos que temos um ladrão à porta de casa e que é perigoso passear no jardim do nosso quarteirão depois das nove da noite.

Mas do que eu vos queria mesmo falar tem a ver com um assunto pouco importante, que as televisões nem atreveram a explorar, dada a ‘insignificância’ do mesmo: 15 a 20% das pessoas neste país salta refeições por não ter dinheiro para comer.

Quem são os verdadeiros agentes da desordem?

Sobre o/a autor(a)

Museólogo. Deputado e membro da Comissão Política do Bloco de Esquerda.
(...)