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Passos Coelho confirma que quer agravar empobrecimento

Passos Coelho afirmou em Valpaços que quer aprofundar a “reforma do Estado”, isto é mais cortes em serviços sociais, salários e pensões, e lançou-se contra a maternidade Alfredo da Costa, uma das melhores do país, por ainda não ter sido encerrada. Sobre escândalo BES, exaustão nos serviços de saúde, queda da atividade económica, mais 158 mil pessoas sem apoios sociais, disparar da dívida nada disse.
Passos Coelho não exclui novo aumento do IVA - Foto de Pedro Rosário/Lusa

O primeiro-ministro esteve neste domingo em Valpaços, onde foi vaiado por algumas pessoas e homenageado pela câmara do PSD.

No discurso que fez na câmara de Valpaços, Passos Coelho apontou que quer prosseguir e aprofundar a reforma do Estado.

Dizendo que o tempo que resta até as eleições legislativas “tem que ser bem aproveitado” para prosseguir a “senda da reforma do Estado que o país precisa”, sustentou que “o próximo Governo não pode deixar de atribuir uma prioridade muito grande a essa reforma do Estado”.

Dizendo atacar as supostas “estruturas anacrónicas”, Passos Coelho lançou-se contra o facto da Maternidade Alfredo da Costa ainda não ter sido encerrada.

Considerando que há maternidades a mais em Lisboa, o primeiro-ministro queixou-se por não conseguir fechar uma das melhores maternidades do país:

“Andamos quase há dois anos e não conseguimos encerrar porque há sempre expedientes administrativos e jurisdicionais que o impedem. Depois aparece a desinformação à mistura”, disse.

Passos Coelho não exclui aumento do IVA

O primeiro-ministro foi instado pelos jornalistas a comentar as declarações de Marques Mendes na SIC Notícias que disse que a ministra das Finanças quer aumentar o IVA de 23 para 24% já em outubro e que Paulo Portas se opõe.

Referindo-se à possibilidade de o governo aumentar o IVA para 24%, Passos Coelho disse: "Não sei se é possível ou não é possível. Se o fizermos é porque não temos outra possibilidade". Acrescentou ainda que o orçamento retificativo não contempla matéria de natureza fiscal, e que “não haverá aumento de impostos” este ano.

Sobre o orçamento retificativo que será debatido na próxima terça-feira, o primeiro-ministro afirmou que para a tomada de decisões será importante a análise da execução orçamental de julho, a qual será publicada amanhã."Não vou estar a antecipar decisões. O Governo não pré anuncia medidas dessa natureza", sustentou.

Passos Coelho aproveitou para atacar o Tribunal Constitucional (TC), dizendo “não conheço nenhum derrapagem que não esteja associada a consequências de decisões tomadas pelo TC”e considerando que por isso o governo precisa de “rearrumar a despesa dentro do Estado”.

Tendo sido conhecido nesta sexta-feira que a atividade económica está a cair é de realçar que Passos Coelho, na sua primeira intervenção posterior à notícia, não tem uma palavra sobre a economia do país, que não seja prosseguir nos cortes. De salientar também, que quando se sucedem as greves e protestos pelo estado de exaustão e a falta de profissionais nos serviços de saúde, Passos Coelho vem atacar o facto de uma das melhores maternidades do país continuar aberta. Agravar o empobrecimento é assim a mensagem clara, nomeadamente na referência à vontade de prosseguir na chamada “reforma do Estado” (mais cortes) até às eleições legislativas.

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