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Mudança climática é a principal ameaça à Grande Barreira de Corais

A avaliação do governo australiano constata o declínio na saúde da maior estrutura viva do mundo, uma tendência que deve piorar devido ao aquecimento global. Artigo de Fernanda B. Müller, Instituto CarbonoBrasil.

A cada cinco anos, a Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Corais, que faz parte do governo australiano, publica um panorama atualizado sobre a saúde, pressões e provável futuro do maior sistema contínuo de recifes do mundo.

Nesta terça-feira (12), a última edição do relatório, que é exigido por lei e visa prover uma avaliação regular e confiável dos recifes, foi divulgada, e traz um alerta muito preocupante.

Todos os maiores perigos aos recifes intensificaram-se nos últimos anos, incluindo as mudanças climáticas, poluição, desenvolvimento costeiro desordenado e sobre-pesca.

As regiões mais atingidas são as próximas ao continente, na parte sul da Grande Barreira. Um exemplo de como a situação se está a deteriorar é o declínio da população de dugongos (ordem de mamíferos marinhos que inclui o peixe-boi), que está no seu nível mais baixo em cinco anos.

No entanto, a publicação reconhece que, desde 2009 (quando a primeira edição do relatório foi lançada), houve uma série de ações voltadas para a redução da poluição que vem do continente, e outras focadas na gestão da exploração tradicional de tartarugas e dugongos.

A norte e nas partes mais externas dos recifes, as condições ainda são consideradas boas.

Alguns exemplos de recuperação lenta de espécies, como as baleias-jubarte, os crocodilos, as tartarugas-cabeçudas e as populações de tartarugas-verdes do sul da Barreira, são comemorados pela publicação.

Ameaças

O relatório destaca as mudanças climáticas como a ameaça mais séria, e aponta que o fenómeno já está a alterar a Grande Barreira.

As temperaturas do mar estão a aumentar, e a gradual acidificação do oceano está a restringir o crescimento e a sobrevivência dos corais. Além disso, os seus efeitos são intensificados devido à interação com as demais pressões que se abatem sobre o ecossistema.

Nos últimos anos, uma série de tempestades e enchentes afetaram os recifes, dificultando a recuperação, por exemplo, de grandes eventos de branqueamento dos corais, assinala o relatório. E é provável que eventos climáticos intensos sejam mais frequentes daqui para a frente.

Grandes áreas dos recifes também continuam a ser expostas a graus elevados de pesticidas, sedimentos e nutrientes, o que afeta significativamente os ecossistemas costeiros.

“Habitats costeiros intactos (por exemplo, áreas húmidas, planícies de enchente e marismas) são vitais para uma Grande Barreira saudável. Eles são importantes no ciclo de vida de algumas espécies marinhas, e também têm um papel na redução do escoamento de água, sedimentos e nutrientes da superfície [para o mar]”, explica o relatório.

Avanços

Pela primeira vez, a publicação considera especificamente o valor da região como um património da humanidade, incluindo as suas características históricas e naturais. É apontado que muitos desses valores estão ligados à saúde dos ecossistemas e alguns à cultura, que estão em deterioração.

Por outro lado, alguns valores do património histórico são bem reconhecidos e geridos, especialmente os naufrágios e alguns faróis. Mas muitos outros locais de significância histórica são mal registados e as suas condições são desconhecidas.

O relatório pondera que as ações de todos, sejam elas pequenas ou grandes, para reduzir as ameaças e ajudar a restaurar as suas condições, melhorarão esse panorama.

Várias medidas que já estão a ser tomadas pelos governos nacional e local são descritas, como o Plano de Proteção da Qualidade da Água nos Recifes (2013), a Estratégia de Portos de Queensland (2014) e o rascunho do Plano de Gestão da Navegação do Leste. Neste ano também está em preparação o Plano de Longo Prazo para a Sustentabilidade da Grande Barreira de Corais.

Porém, a avaliação feita pelo relatório identificou várias dificuldades para alcançar resultados positivos, dada a “complexidade das questões de alto risco, a extensão geográfica e das escalas temporais das ameaças e a diminuição dos recursos para implementação de ações”.

O relatório conclui que houve uma melhoria significativa na compreensão dos valores e impactos na região desde a edição de 2009, mas que ainda existem brechas importantes no conhecimento, especialmente no que se refere aos impactos cumulativos dos múltiplos usos e atividades.

“Mesmo com as iniciativas recentes de gestão para reduzir as ameaças e melhorar a resiliência, o panorama geral para a Grande Barreira de Corais é fraco, piorou desde 2009 e deve deteriorar-se ainda mais no futuro. Uma maior redução de todas as ameaças em todos os níveis ao redor do recife, regional e localmente, é necessária para evitar os declínios projetados e para melhorar a capacidade de recuperação.”

Sobre a Grande Barreira

A região cobre 344 mil Km2, desde a ponta do Cabo Iorque, no norte, até a Ilha Lady Eliiot, no sul, estendendo-se ao leste da Austrália entre uma distância de 70 e 250 Km.

A Grande Barreira é extremamente rica, abrigando 600 tipos de corais moles e duros, mais de 100 espécies de água-viva, três mil variedades de moluscos, 1625 tipos de peixe, 133 espécies de tubarões e raias e mais de 30 espécies de baleias e golfinhos (saiba mais).


Artigo publicado em http://www.institutocarbonobrasil.org.br/noticias2/noticia=737913

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