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Caso BES deve ser levado até às últimas consequências, defende Bloco

O deputado do Bloco de Esquerda Pedro Filipe Soares reiterou esta segunda-feira que o “caso Banco Espírito Santo” deve ser levado até às últimas consequências, inclusive criminais, e dadas as condições necessárias ao Ministério Público para apurar responsabilidades.
O deputado lembrou que o plano agora executado ”não era o ‘plano A’ do Banco de Portugal nem do Governo”, que passaria por uma injeção de capital dos privados. Foto: Mário Cruz/Lusa

Pedro Filipe Soares comentava assim à agência Lusa a notícia de que o Banco Central Europeu terá obrigado o Banco Espírito Santo a “reembolsar integralmente" o crédito contraído junto do banco central, no mesmo dia em que suspendeu o acesso às suas linhas de financiamento, como refere uma ata do Banco de Portugal divulgada por uma sociedade de advogados.

A informação consta da ata da reunião extraordinária do conselho de administração do Banco de Portugal, realizada pelas 20:00 de 3 de agosto, no dia em que foi anunciado o fim do BES.

“O ponto principal que temos de perceber é como tudo começou. Não podemos esquecer que existiram falhas devido à culpa da administração e uma enorme falha de supervisão”, disse.

O deputado lembrou que o plano agora executado ”não era o ‘plano A’ do Banco de Portugal nem do Governo”, que passaria por uma injeção de capital dos privados.

“Ficámos agora a saber é que existiu um ultimato do BCE que está a ser utilizado como justificação para esta decisão. Não podemos esquecer a história toda que nos trouxe a este culminar e essa história é uma história de incumprimento por uma administração”, disse.

No entender de Pedro Filipe Soares, o caso deve ser levado até às últimas consequências, inclusive criminais.

“Devem ser dadas todas as condições ao Ministério Público, incluindo financeiras, para poder de uma forma célere e eficaz apurar responsabilidades e fazer com que se cumpra justiça. Não podemos esquecer também que só chegámos a este ponto pela inação do Banco de Portugal e pela permissividade do sistema financeiro do qual tem um papel importantíssimo o BCE”, concluiu.

Na mesma reunião em que o Banco Central Europeu retirou o estatuto de contraparte ao BES, suspendendo assim o acesso do banco às operações de política monetária, a ata revela que o BES ficou ainda obrigado a “reembolsar integralmente o seu crédito junto do Eurosistema, de cerca de 10 mil milhões de euros”.

Essa imposição teria de ser cumprida no máximo “no fecho das operações no dia 04 de agosto”, ou seja, daí a três dias.

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