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BES: CMVM desconfia de fugas de informação sobre resgate

O governador do Banco de Portugal disse na AR que a hipótese do resgate do BES só foi colocada em cima da mesa depois do fecho do mercado no dia 1 de agosto. A CMVM desconfia de fugas de informação e declara nesta sexta-feira em comunicado que não foi informada de “outras decisões tomadas relativas ao BES e que, tudo indica, influenciaram a formação dos preços”.
CMVM declara em comunicado em comunicado que não foi informada de “outras decisões tomadas relativas ao BES e que, tudo indica, influenciaram a formação dos preços”.

Segundo atualmente se sabe, os fundos abutres poderão ter ganho dezenas de milhões de dólares com o colapso do BES, no dia 1 de agosto.

A agência Lusa lembra que só nos últimos 42 minutos antes da suspensão da cotação do BES na bolsa de Lisboa foram trocadas 83 milhões de ações, um valor muito superior à média diária de 37,7 milhões.

Ontem, quinta-feira 7 de agosto, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, afirmou na Assembleia da República que a hipótese de aplicar uma medida de resolução ao BES só foi colocada em cima da mesa depois do fecho do mercado na sexta-feira da semana passada.

No entanto, Carlos Costa disse também que pela hora de almoço de sexta-feira 1 de agosto, o Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) tinha decidido por teleconferência suspender o acesso do BES às operações de política monetária com efeitos a 4 de agosto.

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) publicou nesta sexta-feira, 8 de agosto, um comunicado onde reafirma:

"A CMVM procedeu à suspensão dos títulos depois das 15 horas [de 1 de agosto] dado que só por volta dessa hora teve conhecimento que haveria desenvolvimentos, ainda que desconhecendo os termos concretos dos mesmos".

O governador do Banco de Portugal declarou na AR: “A suspensão da ação na sexta-feira foi decidida por Carlos Tavares [presidente da CMVM] depois de uma conversa comigo. Mas a decisão cabe-lhe a ele. Foi depois de uma conversa telefónica que decidiu tomar decisão de suspender as ações”.

A CMVM sublinha então que "em momento anterior não foi informada sobre outras decisões tomadas relativas ao BES e que, tudo indica, influenciaram a formação dos preços".

O “Jornal de Negócios” realça que a transação das ações do BES nos dias 31 de julho e 1 de agosto, está a ser investigada pela CMVM para apurar se houve acesso a informação privilegiada, por parte de alguns investidores.

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