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Este ano já foram assassinadas 24 mulheres

Observatório de Mulheres Assassinadas divulga dados referentes ao primeiro semestre do ano que registam uma média de quatro mortes de mulheres por mês. Outras 27 foram vítimas de tentativa de homicídio, tendo a maioria sido morta pelos maridos, companheiros ou namorados.
Para a UMAR, os números são “alarmantes” e demonstram que o fenómeno da violência contra as mulheres se mantém. Foto da UMAR
Para a UMAR, os números são “alarmantes” e demonstram que o fenómeno da violência contra as mulheres se mantém. Foto da UMAR

Vinte e quatro mulheres foram assassinadas este ano e 27 foram vítimas de tentativa de homicídio, tendo a maioria sido morta pelos maridos, companheiros ou namorados, revelam dados do Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA) que constam de um relatório intercalar da União de Mulheres Alternativa e Resposta – UMAR, referentes ao primeiro semestre deste ano.

“Os dados confirmam que a prática do crime de femicídio e no femicídio na forma tentada é o culminar de uma escalada de violência praticada por aqueles com quem as vítimas mantêm relações de intimidade”, refere o relatório, que regista uma média de quatro femicídios por mês, no período citado.

Oito dos 24 assassinatos de mulheres ocorreram nos distritos de Lisboa e Setúbal, com quatro mulheres assassinadas em cada um dos distritos. Logo de seguida, e com três homicídios cada, surgem os distritos de Santarém e Viseu”.

A maioria dos homicídios ocorreu num contexto de violência doméstica (59%), sendo as armas de fogo e as armas brancas os meios utilizados na maioria dos casos. Três mulheres foram mortas por espancamento, outras três por asfixia e duas por estrangulamento.

O relatório indica também que em 17% dos casos a suposta justificação para o crime foi os ciúmes e em 4% das situações o homicida não aceitou a separação.

A residência surge como o local mais perigoso, justamente onde a maioria dos assassinatos de mulheres foram praticados; 19 num total de 24 femicídios.

Quanto às 27 tentativas de homicídio contabilizadas, a maioria (81%) teve como seus autores aqueles com quem as vítimas mantêm ou mantiveram uma relação de intimidade.

É preciso um grande investimento para prevenir a violência contra as mulheres

A coordenadora do Observatório de Mulheres Assassinadas, Elizabete Brasil, defendeu um “grande investimento” na prevenção da violência contra as mulheres, considerando que a falha nesta área tem contribuído para a “perpetuação” do fenómeno.

Para Elizabete Brasil, também diretora da área de violência de género da UMAR, estes números são “alarmantes” e demonstram que o fenómeno da violência contra as mulheres se mantém, o que “leva a questionar as estratégias de prevenção e a forma como todo o sistema responde às situações da violência doméstica”.

Os dados mostram que, “ano após ano, três ou quatro mulheres” são mortas, por mês, pelos seus companheiros, maridos ou em relações familiares próximas.

“Demonstram também que as situações de femicídio não estão desconexas de situações de violência doméstica vivenciadas pelas mulheres”, disse à agência Lusa Elizabete Brasil.

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