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BES descobre novo rombo e tem maior prejuízo da história

Novo buraco descoberto à última da hora elevou o prejuízo a 3,6 mil milhões, superior às piores expectativas divulgadas nos últimos dias. Vítor Bento anuncia que vai promover um aumento de capital, mas não diz de onde virá o dinheiro. Supervisor tira o direito de voto à família.
Vítor Bento descobre rombos todos os dias. Foto de JOSÉ SENA GOULÃO / LUSA
Vítor Bento descobre rombos todos os dias. Foto de JOSÉ SENA GOULÃO / LUSA

O Banco Espírito Santo anunciou um prejuízo no primeiro semestre deste ano de 3,6 mil milhões de euros, superando as piores expectativas que apontavam nos últimos dias para um buraco de 3 mil milhões. O prejuízo anunciado é o maior jamais sofrido por uma empresa portuguesa.

Banco de Portugal retira o voto à família

A comunicação foi feita através de um comunicado cuja divulgação foi sendo sucessivamente adiada até depois das 21 horas. Não houve sequer conferência de imprensa, alegadamente porque Vítor Bento não quis dar a cara aos resultados que não são da sua responsabilidade. A assembleia geral dos acionistas do banco também foi cancelada, a pedido do Banque Agricole, o segundo maior acionista a seguir à família Espírito Santo, que entretanto tem todas as holdings do Grupo sob controlo judicial. Na madrugada desta quinta-feira, o Banco de Portugal retirou todo o direito de voto no BES à família Espírito Santo, dando a machadada final no poder dos antigos controladores do banco. As engenharias financeiras que agora se descobrem serão investigadas para apurar eventuais ilícitos criminais.

"Eventos extraordinários não recorrentes"

No documento divulgado, Vítor Bento atribuiu os prejuízos de 3,6 mil milhões de euros a "eventos extraordinários não recorrentes", já que, no que toca à atividade corrente, o BES teria registado um resultado líquido negativo de 255,4 milhões de euros. Assim, a maioria do prejuízo tem a ver com as engenharias financeiras feitas para tentar salvar as holdings falidas do GES, ESI e ESFG.

Segundo Vítor Bento, "após a divulgação das exposições ao GES [Grupo Espírito Santo] efetuada ao mercado no dia 10 de julho, o Conselho de Administração tomou conhecimento da existência de duas cartas emitidas pelo BES a benefício de entidades credoras da Espírito Santo International [ESI], cuja aprovação não havia sido realizada de acordo com os procedimentos internos instituídos no banco, nem constava dos seus registos contabilísticos a 30 de junho".

O Conselho de Administração presidido por Vítor Bento decidiu assim constituir uma provisão de 856 milhões de euros".

Aumento de capital

Vitor Bento anuncia também que vai desencadear o processo visando um aumento de capital, “devendo para o efeito ser convocada uma assembleia geral para reunir dentro do prazo em que seja razoável concretizar tal aumento".

Não é claro, porém, quem vai participar nesse aumento de capital num momento tão crítico, já que o maior acionista, a família Espírito Santo, desmoronou, o Banque Agricole já não participou no aumento de capital anterior e a PT, que também é acionista, ficou a ver navios com quase 900 milhões. Assim, a menos que algum banco estrangeiro queira comprar a maioria do BES, resta o Estado, com o dinheiro dos contribuintes.

Vítor Bento vai também vender todos os negócios não estratégicos.  

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