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BES: Contribuintes não podem continuar a “pagar os desmandos da banca portuguesa"

Os portugueses não podem suportar "mais medidas de austeridade que venham pagar este enorme buraco financeiro", defendeu o coordenador nacional do Bloco, João Semedo, durante o comício de verão que teve lugar esta terça feira em São Pedro do Sul, e que contou também com as intervenções de José Soeiro, Ana Rosa e Pedro Coutinho.
Foto de Paulete Matos.

Em declarações aos jornalistas nas Termas de São Pedro do Sul, onde se realizou a iniciativa, o dirigente bloquista referiu que "todos os dias o buraco do BES é maior, todos os dias a dívida é maior".

"E, ao contrário do que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse e prometeu, o governador do Banco de Portugal vem hoje falar na possibilidade de intervir com dinheiros públicos na situação do Banco Espírito Santo", acrescentou.

João Semedo sublinhou que "o Bloco não quer que o BES seja um novo BPN", porque "os contribuintes não podem ser sobrecarregados, sacrificados, mais uma vez, a pagar os desmandos da alta finança da banca portuguesa".

Para o coordenador nacional do Bloco, "mais uma vez, o Banco de Portugal acordou tarde".

"Teve uma intervenção tardia e, ainda hoje, se verifica que o Banco de Portugal anda, como se costuma dizer na gíria 'aos papeis'. Disse há 15 dias que a situação no banco não era preocupante, mas hoje já veio dizer que provavelmente é preciso recapitalizá-lo com dinheiros públicos", lamentou.

Os portugueses não podem suportar "mais medidas de austeridade que venham pagar este enorme buraco financeiro", defendeu João Semedo, lembrando que o prejuízo do BES deve rondar os três mil milhões de euros.

"O que é que esteve a 'troika' a fazer durante três anos em Portugal? O que é esteve o Governo a fazer? Prometeram também consolidar o sistema financeiro. Mas que consolidação foi essa?", questionou.

Segundo o dirigente bloquista, há "dois pesos e duas medidas: uma violentíssima austeridade para aqueles que trabalham ou que passaram a vida toda a trabalhar e só facilidades para aqueles que na banca fizeram ilegalidades, irregularidades, fraudes, burlas e que hoje ameaçam ser, mais uma vez, uma despesa enorme para todos os contribuintes pagarem".

Uma vez que o BES é privado e que "foram os seus administradores que o conduziram à situação em que ele se encontra", João Semedo defendeu que devem ser os atuais e novos acionistas a ser chamados a, "no domínio da vida privada, recapitalizar o banco".

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