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Carta de 42 diretores de serviço denuncia situações graves no Hospital Garcia de Orta

Os 42 diretores, que representam a Comissão Médica do Hospital Garcia de Orta, em Almada, assinalam o adiamento de cirurgias, consultas e exames por falta de profissionais e equipamentos obsoletos. Segundo o coordenador do Bloco, João Semedo, este é mais um caso que reflete as consequências dramáticas na Saúde dos cortes impostos pelo governo PSD/CDS.

No documento, citado pela agência Lusa, os diretores de serviço do Hospital Garcia da Orta referem que “a saída de muitos médicos e enfermeiros do hospital, o impedimento da ação gestionária do Conselho de Administração e das estruturas intermédias de gestão do hospital, por via da centralização administrativa, no que concerne a políticas de recursos humanos e compras, afetará gravemente a prossecução da missão do Hospital Garcia de Orta e da sua atividade assistencial”.

“Não nos assiste outro objetivo se não o de chamar a atenção aos órgãos da tutela, para a degradação, em termos de recursos humanos, que esta unidade hospitalar, mercê de causas internas e externas, tem vindo a sofrer, na esperança de que da análise do mesmo resultem recomendações que possam contribuir, para a melhoria da equidade e acesso a cuidados de saúde com qualidade no nosso hospital em particular e na Península de Setúbal, em geral”, acrescenta a Comissão Médica do Hospital Garcia de Orta.

Na carta, que foi enviada ao Ministério da Saúde, Ordem dos Médicos e aos grupos parlamentares, entre outros, é ainda denunciado o mau estado dos equipamentos, “em muitos casos completamente obsolescentes e com necessidade de substituição ou modernização urgente”.

“Existem casos gritantes, como o da pediatria médica, com incubadoras, ventiladores mecânicos e monitores com 20 anos de uso, que pese embora ainda funcionantes, têm taxas de operacionalidade que comprometem a qualidade dos cuidados prestados”, referem os subscritores, entre os quais se encontra a ex-ministra da Saúde Ana Jorge.

Já nos cuidados intensivos de adultos existem, segundo referem, “camas de 20 anos de uso, completamente inadequadas às necessidades atuais daquele tipo de doentes em termos de posicionamento ideal, não só pondo em causa a qualidade de assistência prestada como condicionando igualmente um elevado índice de lesões músculo-esqueléticas dos seus profissionais de enfermagem e assistentes operacionais”.

Tanto o Conselho de Administração do Hospital Garcia de Orta como a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) desvalorizam a denúncia.

Numa nota enviada à agência Lusa, a direção do hospital diz que as "situações ou problemas graves não correspondem à realidade" da instituição, causando "alarmismo desnecessário".

No entanto, o comunicado acaba por referir que se estão a "encontrar algumas soluções para resolver os problemas ao nível dos recursos humanos" e também ao nível da renovação e manutenção das infraestruturas e do parque tecnológico, já que, "devido à limitação dos recursos públicos”, a administração não tem “conseguido que a atividade do Hospital seja totalmente financiada, o que se traduz de facto em algumas dificuldades”.

Já a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) garantiu que estão asseguradas “todas as condições” que permitem ao Hospital Garcia de Orta, em Almada, manter “os cuidados adequados à população”.

“Impõe-se neste momento uma palavra de tranquilização a todos os utentes do hospital, já que se encontram asseguradas todas as condições que permitem a esta unidade de saúde manter os cuidados adequados à população que serve”, refere a ARSLVR.

Cortes orçamentais impedem o normal funcionamento dos hospitais”

Segundo o coordenador nacional do Bloco de Esquerda, João Semedo, “este episódio, que se sucede ao do Hospital de São João, e que será sucedido por outros, espelha as consequências dos cortes orçamentais impostos pelo governo de direita”.

“Os profissionais dos hospitais não querem ser culpabilizados pelos problemas causados pela política seguida pelo ministro da Saúde Paulo Macedo e pelo executivo PSD/CDS-PP”, avançou o dirigente bloquista em declarações ao Esquerda.net, sublinhando que os médicos têm vindo a alertar para uma situação de “verdadeiro colapso” dos estabelecimentos de saúde.

Lembrando que a comunicação social tem dado conta dos problemas vividos em diversos hospitais, entre os quais o Garcia da Orta, João Semedo alertou que “as restrições orçamentais impedem os hospitais de funcionar normalmente, na medida em que os privam dos funcionários, do material clínico e da manutenção de que necessitam”.

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