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Polícia italiana apreende mais de 100 milhões a novo acionista do BES

O Nomura enganou o governo regional da Sicília na venda de swaps ruinosos. O banco de investimento japonês ficou este mês com 5% do BES, executando a garantia de um empréstimo que os Espírito Santo não conseguiram pagar.
O banco de investimento Nomura enganou os italianos com swaps ruinosos e viu esta segunda-feira a polícia apreender-lhe 104,5 milhões de euros.

A polícia fiscal italiana apreendeu esta segunda-feira 104,5 milhões de euros ao banco de investimento Nomura International, acusado de fraude na venda de produtos financeiros derivados complexos ao governo regional da Sicília em 2002.
Segundo a notícia do Financial Times, a investigação concluiu que banco provocou um prejuízo de 175 milhões de euros à Sicília, tendo enganado os gestores públicos regionais. Os swaps ruinosos diziam respeito à dívida de uma empresa ligada ao sistema público de Saúde da região. O escândalo da venda de swaps a munícipios e regiões italianas na década passada motivou várias ações em tribunal. No maior caso, que tinha como queixoso o município de Milão, os bancos acabaram por ser absolvidos.

O Nomura esteve também envolvido - tal como o Deutsche Bank, agora contratado por Vítor Bento para aconselhamento financeiro à nova gestão do BES - no negócio de produtos financeiros derivados que no início de 2013 esteve na origem do escândalo financeiro do banco mais antigo do mundo, o italiano Monte dei Paschi di Siena. O Ministério Público italiano chegou a pedir o congelamento de bens do Nomura, no valor de 1800 milhões de euros, mas o juiz indeferiu o pedido em abril de 2013. Seis meses antes, o Nomura tinha sido condenado pelo regulador do mercado bolsista japonês em 2,5 milhões de dólares por abuso de informação privilegiada, naquela que foi até à data a maior multa aplicada no mercado bolsista de Tóquio.

No dia em que Vítor Bento assumiu funções à frente do BES, a família Espírito Santo decidiu entregar ao Nomura os 4,99% do BES, reduzindo a sua participação para 20,01%.

O Nomura tornou-se acionista de referência do Banco Espírito Santo há poucas semanas. O banco japonês tinha emprestado mais de 100 milhões de euros ao Espirito Santo Financial Group para a família Espírito Santo comprar ações do BES no aumento de capital e assim manter 25% do total do capital, recebendo como garantia ações a representar 4,99% do capital do BES.

Mas com o avolumar de notícias sobre a falência iminente e a queda do preço ações do banco em julho, o Nomura, que também foi um dos conselheiros contratados pelos Espírito Santo para o aumento de capital, exigiu o pagamento do empréstimo ou o aumento das garantias. No dia em que Vítor Bento assumiu funções à frente do BES, a família Espírito Santo decidiu entregar ao Nomura os 4,99% do BES, reduzindo a sua participação para 20,01%.

Na sexta-feira, os analistas do Nomura divulgaram uma nota aos clientes prevendo que o BES irá necessitar de um aumento de capital em pelo menos mil milhões. Na mesma nota, o banco japonês recomendou aos clientes que comprem ações do BES, definindo um preço alvo de 1,10 euros por ação, ou seja, quase o triplo da cotação atual das ações do banco.

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