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Gaza: “Não é uma guerra, não é um conflito, é um massacre”

Durante uma sessão organizada pela Coordenadora Distrital do Bloco no Porto, que juntou meia centena de pessoas, a ativista palestiniana Shahd Wadi, candidata pelo Bloco nas últimas eleições europeias, apresentou relatos pessoais de palestinianos que vivem diariamente a agressão, defendendo que o boicote a Israel é urgente para a imposição da paz. A iniciativa contou também com as intervenções de Alda de Sousa e Jorge Campos.

“Israel sabe que os três adolescentes, raptados em condições desconhecidas, estão mortos e mesmo assim utiliza esse pretexto para desencadear mais um ataque, num momento particular em que a reconciliação entre a Fatah e o Hamas e a construção de um governo de unidade nacional pressiona o governo israelita a negociar”, referiu Shahd Wadi.

Wadi frisou ainda que a disputa pelas palavras é importante, uma vez que o que acontece em Gaza não é uma guerra nem um conflito, é uma ocupação e um massacre. A desigualdade no número de baixas mortais de cada lado e o enorme poderio militar de Israel deixam à vista a continuação de uma ocupação que resulta no isolamento e dominação de um povo que luta há décadas pelo seu direito soberano a existir e resistir. Neste contexto, a campanha que defende o boicote comercial e militar a Israel apresenta-se como uma das vias para o esforço de paz que respeite os direitos do povo palestiniano. Em Portugal, este movimento já conseguiu que a EPAL rompesse o acordo com a empresa israelita Mekorote, celebrado em 2009.

A dirigente do Bloco Alda de Sousa lembrou as condições vividas pela população de Gaza, um território do tamanho do concelho de Tomar onde habitam perto de dois milhões de pessoas. Desde o bloqueio imposto pelo governo israelita e egípcio, em 2007, na sequência da vitória eleitoral do Hamas, o acesso a bens de primeira necessidade e a outros recursos ficou reduzido a níveis que ferem os direitos humanos e a capacidade de um governo político e económico da região. A situação dos 117 mil deslocados e refugiados palestinianos em Gaza provam as condições de agressão permanente ao tratados internacionais e resoluções da ONU por parte de Israel.

A necessidade de romper com a hegemonia do discurso defensor dos ataques ditos de precisão foi afirmada por Jorge Campos, que apontou para o facto de os Estados Unido se terem recusado a reconhecer o ataque israelita como um crime de guerra. A eurodeputada do Bloco, Marisa Matias, também marcou presença na sessão.

Esta sexta feira, dia 25, o Bloco de Esquerda organiza, em Lisboa, uma ação de solidariedade com o povo de Gaza. A iniciativa terá lugar no elevador de Santa Justa na Baixa, pelas 17h.

Para dia 1 de agosto também está marcado um protesto global de apoio à Palestina. Em Lisboa a concentração está marcada para as 15h, no Saldanha com destino à Embaixada de Israel.

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