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Ricardo Salgado preparava-se para destruir caixas de documentos

Segundo o Expresso, a polícia encontrou no escritório do ex-presidente do BES instalado recentemente num hotel do Estoril caixas de documentos com a inscrição “papéis para destruir”. O banqueiro, que foi interrogado durante mais de seis horas no âmbito da Operação Monte Branco, ficará em liberdade e sujeito ao pagamento de uma caução de três milhões de euros.
Ricardo Salgado explicou que se tratava  de uma coincidência e que os documentos contidos naquelas caixas eram “arquivo morto”. Foto de Foto Andre Kosters/LUSA.
Ricardo Salgado explicou que se tratava de uma coincidência e que os documentos contidos naquelas caixas eram “arquivo morto”. Foto de Foto Andre Kosters/LUSA.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, Ricardo Salgado está indiciado por crimes de burla, abuso de confiança, falsificação e branqueamento de capitais. Além da caução, o juiz Carlos Alexandre determinou que o banqueiro ficou proibido de se ausentar do território nacional e de ter contactos com determinadas pessoas que estão relacionadas com o processo.

Além da caução de 3 milhões de euros, o banqueiro ficou proibido de se ausentar do território nacional e de ter contactos com determinadas pessoas que estão relacionadas com o processo.

O advogado Francisco Proença de Carvalho disse que Salgado não iria prestar declarações.

Em janeiro do ano passado, o então ainda presidente do BES foi interrogado no âmbito da mesma investigação, mas na altura a PGR afirmou que não recaiam sobre ele quaisquer suspeitas. Agora, porém, o ex-homem forte do BES entrou e saiu como arguido.

Papéis para destruir”

Segundo o Expresso, a Polícia Judiciária decidiu ir ao hotel do Estoril onde Salgado montou recentemente o seu escritório, depois de ter recebido uma denúncia anónima que dizia que o banqueiro estaria a eliminar documentação do banco.

Na visita, os inspetores encontraram muitos livros e documentos, mas também caixas com o logotipo do BES e uma etiqueta com a inscrição “Papéis para destruir” chamou-lhes a atenção. Ricardo Salgado explicou que se tratava apenas de uma coincidência e que os documentos contidos naquelas caixas eram “arquivo morto”, mas não se destinavam a ser destruídos.

Escom e Sonangol

Ainda de acordo com o Expresso, as suspeitas que recaem neste momento sobre Ricardo Salgado estão relacionadas com o processo de venda da Escom, um conglomerado de empresas fundado pelo Grupo Espírito Santo, à petrolífera angolana Sonangol. A venda nunca foi concluída mas houve transferências de dinheiro cujos contornos estão ainda por esclarecer.

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