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Investigação Científica: ou Crato volta atrás ou tem de sair

Catarina Martins acusou o ministro da Educação e Ciência de querer implodir a investigação científica em Portugal. João Lavinha afirma que, se o processo não for revertido, este governo “vai deixar atrás de si um rasto de destruição que se prolongará por mais seis anos”.
João Lavinha e Catarina Martins ouviram muitos exemplos de um processo de avaliação dos centros de investigação que é tudo menos claro. Foto de Catarina Oliveira
João Lavinha e Catarina Martins ouviram muitos exemplos de um processo de avaliação dos centros de investigação que é tudo menos claro. Foto de Catarina Oliveira

A deputada Catarina Martins, coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, acusou o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, de querer implodir a investigação científica em Portugal, com um processo de avaliação aos centros de investigação sem clareza, sem uma visita aos próprios centros, e que deixa fora do sistema, sem condições de financiamento, cerca de um terço dos investigadores e metade das unidades.

O Bloco de Esquerda promoveu uma audição pública sobre centros de investigação científica nesta quinta-feira, na Assembleia da República. No encontro, que contou também com a presença do deputado Luís Fazenda, investigadores de várias áreas debateram o processo de avaliação promovido pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, que tem sofrido uma forte contestação por parte da comunidade científica.

Secretária de Estado e direção da FCT sem condições para continuar

No final da audição, Catarina Martins disse que a secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, e a direção da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) não têm condições para se manter no cargo depois de a comunidade científica ter mostrado que a avaliação em curso aos centros de investigação não está a ser clara.

Catarina Martins foi mesmo mais além e acusou o ministro Nuno Crato de não estar a perceber que se trata de um processo de avaliação que é feito “sem uma visita aos próprios centros” e “sem o conhecimento do contexto, dizendo que áreas científicas não se podem investigar em Portugal, nem por investigadores portugueses”.

Para a deputada, “a avaliação não tem pés nem cabeça e é inaceitável. Por isso, ou [Crato] está disponível para voltar atrás com o processo, ou ficamos a saber que é o próprio ministro que tem de sair e de se afastar para que possa existir investigação científica em Portugal”, sublinhou.

Governo do PSD/CDS vai deixar atrás de si um rasto de destruição

Para João Lavinha, do Departamento de Genética Humana do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, foi muito importante constatar, no encontro, “a nossa convergência de pontos de vista e no fundo estarmos todos do mesmo lado da barricada”. O cientista sublinhou que “as decisões vão ter efeitos a médio e longo prazo, até 2020” e que as unidades que ficarem pelo caminho “dificilmente irão ter nova oportunidade”. Assim, cerca de um terço dos investigadores e metade das unidades “vão ficar ou fora do sistema ou recombinar-se-ão de uma forma ainda muito incerta com as outras que vão prosseguir”.

João Lavinha lembrou que as decisões que forem tomadas agora “vão prolongar-se no tempo muito para além do mandato que este governo tem”, e que, se concluir a legislatura, o governo do PSD/CDS “vai deixar atrás de si um rasto de destruição que se prolongará por mais seis anos”.

Para o cientista, “a solução é corrigir os erros. Agora, se para corrigir os erros os atuais dirigentes do Ministério e da FCT reconhecem que o processo foi mal conduzido, e portanto os admitem e os corrigem, tendo em conta os comentários muitíssimo ricos dos investigadores; ou não têm e então terá de ser substituída a liderança da ciência e tecnologia e encontrar novos cientistas que recomecem o projeto em termos corretos”.  

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