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Boicote impediu realização da prova em várias escolas

As concentrações de professores à porta das escolas onde se realizavam as provas dos contratados conseguiram impedir a prova imposta por Nuno Crato aos contratados.
Cartazes à porta da escola Passos Manuel, em Lisboa.

De acordo com informações recolhidas pela imprensa na manhã de terça-feira, houve várias escolas onde o boicote à prova impediu a sua realização. Na Escola Rodrigues de Freitas, no Porto, os professores forçaram a entrada no estabelecimento de ensino e  permaneceram nos corredores, na presença de agentes da PSP e dos jornalistas, entoando slogans contra Nuno Crato e a sua prova para os professores contratados.

Na escola de São Torcato, em Guimarães, todos os professores destacados para a vigilância da prova recusaram-se a fazê-lo, inviabilizando por completo a intenção do ministro. Também em Oliveira do Douro, todos os professores destacados para vigiar provas escolheram participar no plenário sindical marcado para a mesma hora.

Na escola Pinheiro e Rosa, em Faro, não houve vigilantes suficientes, o que fez alguns professores abandonarem a prova, alegando não estrem reunidas as condições legais exigidas para a sua realização. Também na escola Passos Manuel, onde o deputado bloquista Luís Fazenda esteve presente para transmitir a solidariedade com a luta dos professores contratados, apenas três professores se disponibilizaram para vigiar a prova dos colegas.

Mário Nogueira diz que Crato incorre em "crime de desobediência qualificada"

Falando aos jornalistas à margem de um dos plenários sindicais realizados nas 80 escolas onde estava previsto decorrer a prova, o líder da Fenprof afirmou que toda a prova tem de ser anulada, uma vez que "não houve até ao momento a apresentação de resolução fundamentada junto do tribunais administrativos e fiscais de Lisboa e Coimbra" em resposta às notificações da justiça na sequência das providências cautelares apresentadas pelos sindicatos.

"Isto significa que estamos perante um crime de desobediência qualificada", prosseguiu Nogueira, qualificando a ausência de resposta de Crato aos tribunais como mais uma das "trapalhadas" do ministro em todo este processo.

Arménio Carlos: "Pode dizer-se que este Governo e o Ministério da Educação estão chumbados"

O líder da CGTP participou no plenário sindical realizado na escola Quinta de Marrocos, em Lisboa, e sublinhou à agência Lusa estarmos "perante a aberração desta prepotência do Governo ao tentar persistir numa coisa recusada pela generalidade do povo português”. Arménio Carlos acusou o Ministério de “falta de respeito perante os professores e simultaneamente perante os sindicatos”, ao avançar para esta prova contestada por todos e tentar impedir a realização dos plenários sindicais.

A forte mobilização dos professores para os plenários e "a recusa de grande parte dos professores” convocados para vigiar as provas acabam por marcar este dia, concluiu o líder sindical: “Pode dizer-se que este Governo e o Ministério da Educação e Ciência (MEC) estão chumbados”.

“As pessoas foram corajosas e não recearam quaisquer consequências”, declarou por seu lado o dirigente do SPGL Manuel Grilo, também presente no plenário que teve "sala cheia e com um conjunto muito grande de professores vigilantes”. Para este sindicalista, a forte adesão aos plenários demonstrou “uma grande elevação ética dos professores”. “As pessoas foram corajosas e não recearam quaisquer consequências”, acrescentou.

(NOTÍCIA EM ATUALIZAÇÃO)

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