You are here

Fenprof mantém reuniões nas escolas à hora da "humilhante prova"

Mário Nogueira apelou aos professores para não colaborarem na vigilância da prova aos colegas contratados. E avisa que quem tentar impedir as reuniões sindicais nas escolas onde se realiza a prova será identificado pela polícia e alvo de queixa-crime.
Mário Nogueira acusa Nuno Crato de assumir “um papel absolutamente cobarde no meio disto tudo”. Foto António Cotrim/Lusa

“Qualquer impedimento da realização de reuniões sindicais nas escolas da PACC é ilegal e susceptível de procedimento disciplinar”, diz a frente de sindicatos dos professores que convocou reuniões sindicais para a manhã desta terça-feira,  à mesma hora da prova, nas escolas onde esta se realiza.

“Se o ministro tivesse um pouco de dignidade”, afirmou o líder da Fenprof esta segunda-feira em Coimbra, “amanhã ou ainda hoje, de preferência, demitia-se”. Mário Nogueira acusou o ministro da Educação de assumir “um papel absolutamente cobarde no meio disto tudo” e de estar por detrás da circular assinada pelo Diretor-Geral dos Estabelecimento Escolares a tentar impedir a realização das reuniões sindicais à hora das provas.

“Se amanhã [terça-feira] alguma escola tentar impedir a realização de reuniões sindicais”, a Fenprof chamará as “autoridades policiais” para identificar e apresentar queixa no ”âmbito disciplinar” e no plano da “responsabilização civil e criminal”, acrescentou Nogueira, citado pela agência Lusa.

Em comunicado, a Fenprof apresentou algumas das razões para os professores não colaborarem com o Ministério de Nuno Crato, a começar por ter promovido “o maior despedimento coletivo de que há memória”, passando pelos cortes orçamentais que foram “superiores ao triplo dos 370 milhões acordados com a troika” e a existência de “milhares de horários-zero para, já no próximo ano letivo, atirar professores para a mobilidade especial”. Mas também pelo que Crato pretende ainda fazer no que lhe resta do mandato: “desvalorizar ainda mais os salários” com a passagem para a tabela única da Função Pública ou a “liquidação de postos de trabalho necessários”, oferecendo dinheiro aos municípios que reduzam o número de professores.  

A Fenprof irá também apresentar esta terça-feira  uma queixa crime contra o Director Geral dos Estabelecimentos e apresentou na conferência de imprensa um parecer jurídico que defende a legalidade da realização de reuniões sindicais nas escolas onde se realiza a prova dos professores contratados e um outro a atestar “a ilegalidade de qualquer punição dos docentes que não realizem a prova com a sua retirada do concurso que já está a decorrer”.

Associação de Professores Contratados: “Crato está agarrado à prova como um cão a um osso”

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Nacional dos Professores Contratados também criticou a circular da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares a tentar impedir as reuniões sindicais na manhã de terça-feira. Para César Paulo, a circular veio mostrar que o ministério  "está agarrado à prova como um cão a um osso, levando a crer que os professores são uns vândalos e irresponsáveis”. O líder da ANPC acrescentou que a prova destinada aos professores contratados com menos de cinco anos completos de serviço "é eliminatória” e vai levar "professores a deixarem de dar aulas".

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Sociedade
(...)